março 28, 2010

zoo

Ontem foi um belo dia. 15 graus. Sol. Fomos conhecer o zoológico. Ficamos lá 4 horas e vimos uma pequena parte de tudo o que há pra ver. As crianças gostaram muito, se divertiram bastante. E como dinossauro aqui é coisa séria, existe uma área do zoológico com um monte de dinos e alguns até se mexem e fazem sons. E como zoológico é lugar que atrai muita criança, tem um parquinho bem grande pros pequenos brincarem. Lá encontramos nossos vizinhos de frente, Maria e Olaf com os filhos Sarah e Cody. Conversamos brevemente por que eles já batiam em retirada.

Nós ainda ficamos mais um pouco e visitamos algumas instalações fechadas, onde os animais ficam indoor quando está muito frio. As crianças chegaram em casa meio destruídas e foram direto pro banho. À noite tivemos um jantar na casa de novos amigos.

[o trio mexendo nos botoes que manipulam os dinos]

jantar

Fomos a um jantar na casa da família que nos recebe como voluntários pelo programa friendship [que mencionei uns posts atrás]. Eles tem 3 filhos e os 2 mais novos, Mitchell e Sean estavam lá e tentaram pajear o nosso trio. Uma cama elástica no quintal os entreteve por um bom tempo. Sean joga futebol e estava com a camisa do Forlan, da seleção uruguaia. Então contei que o pai do Forlan jogou no meu time no Brasil.

O casal é bem simpático, Bob and Carolyn. Mudaram de Vancouver pra Calgary há uns 10 anos, ele mudou de carreira, ela está mudando agora. Conversamos um bocado, ele preparou mojitos, muito bons, contamos muito sobre o Brasil e nossas razões de vir pra ca. Eles deram dicas e se colocaram a disposição pra ajudar com o que precisarmos. Jantamos bem, tomamos vinho, demos risadas. Incidentes aconteceram, Laura caiu na escada, o cachorro de um vizinho entrou pelo meio da sala, tomamos café, sobremesa e um belo scotch [Longrow, preciso escrever pra não esquecer] pra terminar. Saímos de lá perto das 10 da noite, com as crianças um pouco mais destruídas, prontas pra cama.

Fechamos o sábado com chave de ouro.

março 27, 2010

está chegando

O aniversário deles está chegando. E Laura se encarregou de marcar na folhinha cada dia que passava...

poucas fotos . . .

. . . preciso tirar mais fotos . . .

o tempo

Interessante, nossa língua. A gente se refere ao clima usando uma palvra que designa uma medida cronológica. 'Como é que está o tempo hoje?', 'Ih! hoje o tempo está feio', 'O tempo está fechado.' Quando se usa clima para se referir ao tempo, parece coisa de especialista. Mas usar clima para uma sensação geral é mais comum. 'Tava o maior clima na festa', 'O clima entre eles está ótimo', 'O clima no escritório não é dos melhores'. Enfim, coisas da língua. Em inglês tempo é time e clima é weather e ponto final.

Tudo isso pra falar que o tempo, ou o clima, em Calgary está parecendo uma montanha russa. Dias quentes sucedem dias frios que antecedem noites quentes, um pouco de neve, sol, chuva, vento. Ouvi dizer que março é assim mesmo, a primavera querendo entrar, se estabelecer depois do inverno. E outra que escutei é que em Calgary, ou no Canadá todo, o tempo, ou o clima, é sempre um assunto. Nada melhor pra falta de assunto do que falar do tempo, ou do clima, não é? Se voce não tem nada pra dizer e menciona o clima, a outra pessoa sempre vai ter alguma coisa pra dizer também e não vai ficar parecendo que voce, ou voces, não tinham assunto melhor pra conversar sobre. O tempo, ou o clima, é um ótimo assunto aqui.

Eu gosto dessa variação no clima. A paisagem está sempre diferente, sempre mudando, não tem monotonia. Ontem foi um dia bem estranho, com a temperatura indo pra cima e pra baixo como de 2 em 2 horas. Até a mocinha da rádio, quando falou do weather, disse: 'What a strange day!' Ontem, por volta das 10 da manhã, choveu. Uma horinha, mais ou menos, de uma chuva fina. Depois que passou, tudo ficou seco de novo.

E a tarde abriu um solão e no fim do dia estava calor. Aproveitei pra dar uma corrida.

correndo 2

Ainda não sei que distâncias estou correndo, preciso dar um jeito de medir. Então minha medida é o tempo [não confundir com clima] que corro. No Brasil eu corria 10K em pouco menos de 1 hora. Acho que ontem fiz algo em torno disso. Fui longe, comparando com o primeiro dia de corrida, bem mais longe. É, pra medir o desempenho pelo tempo, tem que repetir o percurso algumas vezes. Acho que a temperatura de +10 ajudou e eu estava inspirado porque finalmente consegui tirar minha carta de motorista.

carta de motorista

Foi, sem dúvida, dos documentos canadenses o mais difícil de tirar. Primeiro fiz uma prova escrita e submeti minha carta brasileira pro Governo de Alberta analisar. Nessa etapa eu fui um aprendiz [GDL class 7, learner driver] de motorista e só poderia dirigir com algum motorista capacitado. Então, Bia ficou dirigindo uns bons dias. 10 dias depois da prova escrita, liguei pro local onde fiz a prova pra saber se meus documentos já tiam sido analisados pelo governo. Tudo ok, fui fazer o teste de direção [road test]. Pra ter uma carteira de motorista completa [full driver's license class 5] eu tinha que fazer o teste avançado, coisa de uma hora dirigindo.

Não posso esquecer de dizer que o livrinho feito pelo governo com as regras e leis é muito bom, muito bem feito e que as leis de trânsito aqui são bem lógicas. Ah! E que o road test custa uma grana, coisa em torno de $100, mas que varia de lugar pra lugar!

Bom, fui eu pro teste [interessante é que o teste é feito no carro de quem está fazendo a prova, ou seja, fiz o teste no nosso carro]. A examinadora foi do lado, dizendo onde eu deveria ir, parecia uma maquininha, automatizada. Estava confiante, mas fui cauteloso. No fim do teste, ela me explicou sua avaliação e, no final das contas, fui reprovado porque fui cauteloso demais. Como? É, abaixo do limite de velocidade. Nas ruas com limite máximo 50 por hora, eu fui a 40! Nas áreas escolares com limite máximo 30 eu fui a 25! Mas a gota d'água foi ela me tirar pontos porque parei a dois metros da faixa de pedestres quando um pedestre estava atravessando! Fiquei fulo da vida, discuti com a moça, perguntei onde no livro estava escrito que eu deveria usar o limite máximo de velocidade nessas vias e se eu deveria assustar a pessoa que atravessava parando em cima dela etal.

Existe uma discussão na província de Alberta sobre esses testes. Eram do governo, foram terceirizados. Os examinadores são independentes, prestam serviço pras empresas terceirizadas do governo. Muita gente acha que o sistema virou um caça-níqueis, as pessoas são reprovadas a torto e a direita, quase ninguém passa no primeiro exame e por aí vai. Mas a questão era: eu precisava da carteira de motorista e assim teria que refazer o exame.

Claro, fui a outro lugar fazer o exame com outro examinador. Fui, paguei de novo, entrei no carro com o examinador, ele perguntou se eu tinha algo a perguntar e perguntei sobre velocidades aceitáveis, atitude ao parar para um pedestre etal. O cara disse: 'Relax, Octavio, let's go on with the test'. E fomos, eu mais esperto com as velocidades. O cara deu poucas instruções e que se não falasse nada que eu fosse em frente. E foi do meu lado puxando papo, contando casos. Depois de 50 minutos, voltamos e ele me passou sua avaliação. Um pequeno erro numa conversão a direita e só. Que diferença da primeira examinadora.

O fato é que agora posso dirigir! E que Bia vai ter que fazer os seus exames...

março 23, 2010

lareira

Nós temos lareira, daquelas normais, que conhecemos desde pequenos. Aqui tem lareira a gás e lareira a lenha. A nossa é tradicional, 'wood fireplace'. E o vizinho corta lenha e tem um belo estoque que compartilha conosco. Uma delícia nas noites frias de Calgary. Me traz recordações da infância em São Paulo, das noites frias de julho e agosto.

março 21, 2010

pizza no sábado e sin card

Pizza na casa dos amigos, pra buscar o SIN card. Noite super agradável, ótimo papo. Agora precisamos retribuir.

e a vovó se foi . . .

. . . pro Colorado, visitar minha irmã. Vai ficar lá apenas uma semana, mas vai fazer falta. Depois minha irmã vem nos visitar e vai trazer os filhos, Bea e Andre, pra ficar com a gente uns dias. Aí ela leva a vovó Guguta pra ficar uns meses lá. Vamos ver como as coisas vão se acertar. gastamos um tempo no aeroporto com as crianças. O aeroporto tem milhares de coisas pra eles fazerem, incrível. Depois fomos ao edgemnont park e dali fomos a Nose Hill Library pra pegar uns livros pra gente e fazer os cartões de biblioteca dos tri, que eles fizeram questao de assinar.

livros

As crianças trazem um livro novo todos os dias pra casa. Livros simples, epquenos, mas a cada dia eles tem que ler um livro novo. Esses livros ficam na propria sala deles. E uma vez por semena eles vão a biblioteca e escolhem um livro maior. Eles tem que ler os livros diários pelo menos 3 vezes. E o outro mais que 3 vezes. São esses livros que a vovó tem lido pra eles.

reunião na escola

Fomos a primeira reunião com a professora, Mrs. Briere. Pra variar gostamos muito. As crianças estão se adaptando, tentando se comunicar, acompanhando as atividades, essas coisas. Eles gostam da escola, vão todos os dias bem animados. E nós também gostamos da escola. Mrs. Briere nos disse que das escolas em que trabalhou essa é a melhor. A escola tem várias particularidades. Todas as salas de aula abrem as portas em direção a biblioteca, que fica num espaço central do prédio. As

séries ou anos, aqui os grades, são agrupados 2 a 2 em cada sala: grades 1 e 2, grades 3 e 4 e grades 5 e 6 [a escola é elementary, ou seja, vai até o grade 6]. Os projetos em que as crianças trabalham são de longo prazo e não trocam mês a mês ou coisa assim. A professora gosta desse jeito da escola, acha que os alunos se preparam muito bem assim. nós também

gostamos. Outra coisa legal é em relação aos livros . . .

correndo

Outro dia alguém perguntou se estou correnndo por aqui. Não, não estava correndo não. Falta de equipamento adequado: camisetas, agasalhos, calças, luvas, gorros, bones, feitos de materiais adequados ao clima. Esse tipo de coisa com o que voce não precisa se preocupar no Brasil. Basta um par de tenis e um calção que voce está pronto pra correr. Mas aqui, a coisa é diferente.

Ontem e ehoje as temperaturas e o sol aqui colaboraram para fazer dias maravilhosos. Hoje a manhã estava ensolarada e as 10 horas os termometros já marcavam 8 graus, então vesti um calção, uma camiseta de manga longa, calcei meus velhos tenis, passei um protetor solar, coloquei um boné e os óculos escuros e fui dar minha primeira corrida na cidade. Saí de casa correndo pela calçada e subi em direção a Edgemont, o bairro vizinho, onde tem o parque em que vamos sempre com as crianças, aquele em que brincaram de trenó. O parque é enorme, tem várias trilhas e eu queria correr por lá. Só que levei 25 minutos pra percorrer os 4 km até lá. Cheguei, bati o pé e voltei. Não dá pra abusar logo na primeira, depois de quase 2 meses sem correr.

Espero agora achar um tempinho pra correr pelo menos 4 dias durante a semana.

março 19, 2010

os primeiros cem . . .

. . . ganhos em duas horas de participação em um grupo de discussão do governo. Que sejam os primeiros de muitos outros que virão . . .

lendo histórias

um dedinho . . .

. . . de neve . . .

. . . e tudo branquinho outra vez . . .

lá vem o school bus

Lá vem o school bus subindo a ladeira . . .

. . . ele faz uma curva à esquerda e para nesse ponto . . .

. . . olha ele aí fazendo a curva e o Diogo aparecendo na janela . . .
. . . então ele para pra criançada descer . . . olha o pai do Cody e da Faith chegando . . .

. . . e as crianças descem do school bus e saem correndo pra chegar logo em casa . . .

março 15, 2010

kite flying

Domingo foi um dia muito gostoso. Ensolarado, temperatura amena. Passamos o dia 'hanging around', em casa, sem muitas pretensões de grandes programas.

Por volta das 11 da manhã sai pra dar uma volta a pé pelas redondezas. Convidei as crianças pra irem comigo, mas só a Laura se animou: 'vou de patinete, pai'. Fomos batendo papo, andando devagar, olhando as casas, os jardins, os lugares que ainda tinham neve. Quando voltamos, Laura quis andar de patins com os meninos e fiquei eu subindo e descendo a rua pela calçada levando um deles pelo braço.

Acho que por volta do meio-dia o Don apareceu na rua e ficamos batendo papo, ele nos acompanhando pra cima e pra baixo. Scheila e Kristen passaram por nós indo ao mercado a pé. Don, então, se lembrou que talvez tivesse guardado uns patins velhos das crianças dele. Logo voltou com um par e aí tínhamos 2 andando de patins pra lá e pra cá.

Chegou a hora do almoço e Don nos disse que mais tarde iria ao Nose Hill Park soltar pipa, daquelas grandes, com 2 linhas e nos convidou pra ir com as crianças. Claro, Legal! Então fomos almoçar e pra variar demoramos um pouco, não estou acostumado com o forno, as temperaturas e tal. Estávamos nos sentando à mesa quando tocou a campainha e eram eles, nosso vizinhos. Convidamos os 2 pra entrar e ficamos batendo papo enquanto almoçávamos. Assim que terminamos, saímos.
Em 15 minutos estávamos no alto da montanha. E Don e Scheila começaram a preparar as pipas, os 'kites'. Colocaram o primeiro kite voando e passaram pra mim. E o kite subia e descia e a Scheila me ajudava e empinar de novo, e caía, caía, de novo, de novo, de novo. Acho que depois de 15 minutos dei um tempo, não dava. Enquanto isso, Don já tinha posto mais 2 kites pra voar e passou um deles pras crianças. Em questão de minutos eles pegaram o jeito, os 3! Foi muito gostoso. Bia também experimentou um pouco. Então eu peguei um dos kites de novo e aí
consegui brincar com ele no ar por um bom tempo, uns 20 minutos. Demais!
As crianças simplesmente adoraram! A caminhada, o parque, os kites, tudo. Voltamos pra casa felizes, todos nós. Foi muito bom.

video

Don tirou essas fotos e fez o video.

março 13, 2010

fotos do sábado de manhã

Diogo, o primeiro a acordar, pesquisando dinos na web

Mario, acordando...

Laura, ainda dormindo...

Bia, preparando o cafe da manha...

Vovo Guguta passando emails no computador emprestado pelo vizinho

A casa está um pouco mais arrumada. As caixas foram desfeitas [saldo: 3 copos e 5 pratos quebrados]. Falta muita coisa, mas vamos com calma, um passo de cada vez. A lavanderia fica no tatame, mas é só um armário. O tatame é o que chamam aqui de 'sun room', uma sala quentinha, cheia de sol. A TV foi de graça. Claro, não é nenhuma LCD nem Plasma, é de tubo, mas funciona bem. Não queremos ficar presos a TV. O quarto dos tri tem 2 beliches [boliches como eles dizem], a espera da visita dos primos. E assim segue a vida. A previão do tempo hoje é 5 graus e vamos visitar algumas 'garage sales' em busca de coisinhas pra casa.

family friendship

O governo federal estabelece uma infinidade de programas para ajudar na retenção dos novos imigrantes, os 'newcomers'. O governo provincial também tem seus programas. Os programas são implementados e oferecidos a nós, aos 'newcomers', por ONGs. O CCIS, onde estamos fazendo nosso workshop, oferece vários outros programas. Entramos num programa chamado 'family friendship' ou 'host family'. Uma pessoa do CCIS faz a ponte entre a família 'newcomer' e a 'host family', que é voluntária. Essa semana recebemos a mãe da família que vai nos receber. Foi bem bacana. Eles moram perto de nossa casa, têm 3 filhos, maiores que os nossos, mas que gostam de esporte. Ela, Carolyn, é professora de ESL [inglês como segunda língua] mas está querendo mudar de carreira. O marido, Bob, era contador e mudou de carreira, agora é mortgage broker [um agente que 'vende' financiamentos pra compra de imóveis]. Temos várias coisas em comum, idade, interesses, etc. E semana que vem, Bia já vai participar de um almoço só de mulheres, com as amigas da Carolyn. Espero que possamos aprender muito com essa troca.

testes

Essa semana as crianças fizeram um teste pra saber em que nível de aprendizado estão. Então Bia e eu fomos convidados pra acompanhar e auxiliar na tradução pras crianças. Por 3 dias seguidos fomos buscá-los na escola e a cada dia um fez o teste. Começamos com o Diogo por sugestão da professora, Mrs. Briere: seguir uma ordem alfabética. Gostei, porque é o que sempre procuro fazer. Bia achou melhor que eu acompanhasse os testes. Ela é meio ansiosa e ficou com medo de responder o teste por eles. Então, fui eu.

E adorei a experiência. O teste avalia linguagem e matemática, princípios básicos. O teste foi desenvolvido pelo governo e é usado por centenas de escolas. Os mesmos critérios avaliam milhares de crianças na cidade, na província. Lógico, objetivo. Achei espetacular. Tive a oportunidade de ver como estão as crianças, [ufa!, eles são normais!] e conhecer um pouco mais a professora que é um doce.

batalha

Temos forçado as crianças a cada vez mais fazerem as coisas por eles mesmos, sozinhos. Têm certas coisas que são bem difíceis pra eles, mas a gente dá uma forçada pra que eles façam. Uma dessas coisas é colocar o cinto de segurança. Eles estão sentando num 'booster seat', uma cadeirinha que os deixa mais altos pra usar o cinto todo pela frente do corpo e isso dificulta um pouco. Vira e mexe ouvimos os meninos [pois é, a Laura não tem problema com isso] grunhindo lá atrás: uuommm, arrrgghhhh, aaoohhmm, huuumppffff.

Outro dia estava o Diogo tentando colocar o cinto. E toca a ouvir grunhidos. E ele levanta, fica em pé, senta, se vira pra um lado e pra outro e grunhe e nada de conseguir colocar o cinto. Até que eu me viro e digo: 'Caramba, Diogo, que batalha!' E ele, cheio de bom humor: 'É a batalha da cadeirinha contra o Diogo'. E depois de muitas risadas, enfim ele conseguiu colocar seu cinto.

carteira de motorista

Não estou podendo dirigir. Para o governo da província de Alberta, agora sou aprendiz de motorista. Fiz a prova escrita e apresentei minha carteira de motorista brasileira, que ficará retida pelo governo. É proibido ter 2 cartas de motorista ao mesmo tempo. A 'Licensing Service' [que é como um cartório que resolve um monte de coisas, mas com muito mais agilidade], manda entao as informações pro depto de trânsito que analisa o caso. Em torno de15 dias o governo envia de volta pra 'licensing company' a papelada dizendo que estou apto ou não pra fazer o teste dedireção.

Fiz tudo isso na quarta passada. Enquanto isso, quando saímos, a Bia dirige. Tem sido ótimo pra ela aprender as regras de trânsito daqui. O trânsito aqui é bem mais calmo, menos estressante, mas tem regras bem diferentes. Umas das coisas mais sensacionais são os '4 way stops'. É um cruzamanto em que chegam carros vindos das 4 direções. Não tem sinal, não tem nada, apenas uma placa dizendo '4 way stop'. Quem chegar primeiro ao cruzamento, cruza. E todos respeitam a regra.

Assim que eu tiver minha carta, Bia vai começar a tirar a dela.

preocupação

Domingo passado, estávamos voltando de carro do Prince's Island Park, no centro da cidade, quando ouço uma parte da conversa dos 3, lá no banco de trás.

Mario, preocupado: isso nao pode acontecer.
Diogo, precoupado, mas nem tanto: mas foi a Laura, MArio.
Laura, tentando explicar: Mario, isso nao tem problema. E foi sem querer, eu confundi as gavetas.
Mario: Mas aí minha meia vai virar calcinha. Eu nao quero que isso aconteça.
Diogo: Quáquáquá, nossas meias vão virar calcinhas, quáquáquá!
Laura: Isso não acontece, Mario.
Mario: Eu nao quero, não é engraçado, tá bom!

Imagina a reação dos adultos no carro! Gargalhada geral.

março 07, 2010

reclamação

[Diogo fica horas brincando com a agua do degelo da neve, jogando folhas e gravetos na sarjeta pra ver essas coisas descendo a rua]

Logo que chegamos aqui em Calgary, o Diogo comecou a reclamar que os dias passavam rápido, eram curtos. Interessante como ele percebeu isso. Quando chegamos, os dias estavam termiando por volta das 5 e meia. Agora já é possível ver luz no céu até por volta das 6 e meia. MAs já avisamos a ele que aguarde o verão. Os dias serão longos, bem longos, com sol até as 10 da noite. E ele nos olha incrédulo, como quem diz: 'só acredito vendo!'

pizza no vizinho

Ontem fomos a casa de Don e Scheila comer uma pizza. E olha, nao foi qualquer pizza, não. Foi 'A Pizza'. Massa fina, crocante, 50% trigo, 50% trigo integral, molho espesso. E os 'toppings', como eles chamam a cobertura por aqui, foram bem diferentes. Um deles era uma linguica de búfalo e o outro era uma carne de porco defumada e desfiada, desmanchando. A pizza de carne de porco foi feita com molho barbecue sobre a massa no lugar do molho de tomate. Sensacional, nunca tinha visto nem experimentado. Uma delícia.

A casa deles é bem agradável, simples. A cozinha aconchegante. Dessa vez conhecessemos o filho deles, Caulen. O menino tem 16 anos e faz downhill de bike, radical. Imagina se as crianças não ficaram alucinadas com as fotos do menino descendo as montanhas daqui. Pra ganhar uma grana, ele trabalha numa loja de bikes aos domingos.

A pizza foi ótima, o vinho gostoso, o papo ótimo. Uma ótima noite com nossos grandes vizinhos.

março 06, 2010

1 mês

No dia em que completamos 1 mês em Calgary tambem mudamos pra casa que poderemos chamar de 'nossa casa' por um bom tempo. O que posso dizer, depois de 1 mês, é que estamos bem, muito bem. Felizes com nossa mudanca pra cá, felizes com as coisas que vêm acontecendo conosco.

O primeiro mês voa, voou. Porque é tanta coisa nova acontecendo, tantas coisas pra fazer tão diferentes entre si, que quando voce percebe 30 dias se passaram. Aí é que se percebe o quanto foi feito nesses dias. Aquela vida do dia a dia continua, fazer o mercado, cozinhar, essas tarefas diárias. Junto com isso, é preciso tirar uma serie de documentos novos. E entao precisa registrar as crianças na escola e achar uma casa pra alugar, comprar um carro, comprar moveis, eletrodomesticos, utensilios de cozinha, roupa de cama e banho...e entao assistir a cursos e, ao mesmo tempo, procurar empregos.

Bia e eu, alguns dias, chegamos em casa destruídos, depois de acordar as 5 e meia da manhã pra pegar o trem e ir pro centro da cidade assistir a um workshop the 'communications skills' que é, basicamente, um curso pra recolocação no mercado de trabalho canadense. Ótimo, o cara é muito bom, dá informações valiosas. Quando saímos dali vamos resolver isso, aquilo e aquilo outro e corremos pra jantar com as crianças as 6 da tarde. Pois é, horário novo, padrão canadense. E depois ainda temos mais pra fazer, comprar pequenas coisas, montar um e outro móvel.
Se nao tivessemos a ajuda de minha mãe por aqui, as coisas seriam bem mais complicadas.

Ela fica com as crianças pela manhã, enquanto vamos ao workshop [que deve durar ate o dia 20], dá o cafe da manhã, prepara o almoço, ajuda os tres a se arrumarem pra escola, dá o almoço e por volta de meio dia e meia leva os 3 até o ponto do onibus escolar [pra esclarecer, o school bus custou $132 por meio ano, para os 3!], 5 minutos a pé, rua acima. Entao ela tem uma folga. E a vovó Guguta trabalha pacas...Logo teremos o 'spring brake' na escola, coisa de 10 dias de folga por volta da data da Páscoa. E a Guguta vai visitar a Maná, minha irma no Coloardo. Entao veremos o que será ficar sem a sua ajuda. E nas férias ela vai passar um bom tempo lá...aí esperamos contar com a ajuda da vovó Maria, vamos ver se o vovô Vitorio vai deixá-la vir...

Enfim, corremos muito mas a vida não é tão estressante como em Campinas. O trânsito é mais calmo, o transporte público é bom, agora estamos a 5 minutos da estação do trem, a cidade é silenciosa. Esse fim de semana vamos ficar em casa, montando moveis, desfazendo umas caixas, arrumando um pouco mais a casa. O tempo está lindo, dias ensolarados, céu azul. Depois do meio-dia a temperatura tem chegado a 9, 10 graus. E na casa nova as criancas tem muito mais coisas pra fazer.

casa nova

Mudamos! E a casa é muito legal!

[A frente da casa. A arvore eh uma Maple tree, da folha do Canada]

Quando ja estavamos em Calgary havia uns 15 dias, comecamos a procurar casas pra alugar. Como a escola das crianças tem que ser a escola do bairro e já havíamos nos decidido por morar em Dalhouise, a busca foi concentrada por aqui. Até olhamos algumas casas no bairro vizinho, Brentwoods, mas não gostamos tanto. Quando digo olhamos, quero dizer olhamos no craiglist, homerent, rentspot e outros sites de busca da internet.

Sim, porque olhar, ver, visitar casas nós visitamos 2! Pois é, só 2! E a primeira que visitamos foi a casa que alugamos e em que estamos hoje. Eu acho isso incrível, mas é verdade. Não sei se já contei a história, peço desculpas se vou ser repetitivo, mas acho que vale a pena contar como foi e falar um pouco da casa.

Vi o anúncio da casa no homerent. Tinha algumas fotos e uma breve descrição. 3 coisas chamaram minha atenção na descrição: o landlord [o proprietário] morava ao lado, o piso de madeira e que a casa bem cuidada. O valor do aluguel também era convidativo, bem menos do que estávamos esperando gastar com aluguel. Mas havia um senão: era apenas um main floor, ou seja, o basement na seria alugado junto com o piso de cima. Então liguei pra marcar um viewing, uma visita. Claro que achei difícil entender o que o landlord dizia, o endereço ele teve que soletrar. Depois fiquei sabendo por ele mesmo que ele também não entendeu patavinas do que eu disse. O interessante é que mesmo sem nos entender conseguimos marcar um horário pra visita. Telefone eh dificil!

[da frente da casa, olhando rua acima]

15 dias atrás, algumas ruas em Calgary eram um desastre, neve, gelo, nenhum lugar pra parar o carro. Foi o que encontramos aqui. A rua é uma Crescent que sobe [ou desce, claro], o que significa que ela começa e termina na mesma rua, fazendo uma espécie de "C". Nós entramos na rua por cima e fomos descendo. Quando achamos a casa paramos o carro um pouco mais abaixo. Olhamos a frente da casa e gostamos. Discreta. Tocamos a campainha da casa ao lado, do landlord. E logo ele e sua mulher vieram atender e nos levar para ver a casa ao lado. A casa estava ocupada por 3 caras, pilotos de avião, móveis, roupas, meio difícil de ver. Entramos, demos uma volta, vimos por fora, garagem. Ok. Então, o problema. Um banheiro. Conta rápida: 6 pessoas, 1 banheiro. Hum...será que dá? 3 crianças, 1 banheiro? Será? O banheiro tem 2 portas uma que dá pro quarto do casal e outra que dá pro corredor. Hum...será? Então as vantagens: um anexo a casa, uma bela sala ensolarada por 2 clarabóias e janelas grandes, perfeita pras crianças brincarem; uma área nos fundos da casa, pública com parquinho pras crianças; a casa estava mesmo bem cuidada e o landlord era o vizinho, qualquer problema, qualquer dúvida, o cara estaria ali do lado.

Conversamos um pouco com o casal, Don e Scheila, a impressào foi ótima, simpáticos, corteses. Fizemos algumas perguntas. Ok. Preenchemos um documento com nossas informaçoes e referências. Referências, parte difícil. Indicamos Vicki, nossa amiga de Vancouver, Wayne Jackson, de quem estávamos alugando a casa anterior e David, do B&B em que havíamos nos hospedado ano e meio antes. Saímos, tchau, obrigado. Entramos no carro:


'o que voce achou?'
'gostei, piso de madeira, a sala pras crianças, o parque nos fundos'.
'e o banheiro?'
'1 só, difícil, mas não impossível'
'mas voce olhou o banheiro direito?'
'não, e voce?'
'também não'.
'tudo bem, é a primeira que visitamos,vamos ver outras.'

E vimos apenas mais uma, péssima, um desastre.

No mesmo dia, Don mandou um email dizendo que tinha checado nossas referencias, que a Vicki tinha perguntado o que estávamos fazendo em Calgary, que devíamos estar em Vancouver, que o Wayne disse que eramos um otimo casal pra lidar e que se quisesemos alugar a casa estava tudo bem.
'e aí Bia, vamos alugar?'
'vamos!'
Dia seguinte liguei pro Don, ok, vamos em frente. Marcamos uma hora e fomos a casa deles assinar o contrato e pagar uma caução equivalente a 1 mês. O contrato de aluguel é mês a mês e nao de 6 meses ou um ano. Entramos na casa deles, a família toda. Entao lembrei: o dinheiro, não trouxe! Desculpa, vou buscar, volto daqui a 40 minutos, desculpa. Não tem nada, que isso, tranquilo. Ótima primeira impressão! Vexame. E toca voltar pra casa pra pegar o dinheiro. Fora isso, o resto foi tranquilo.

Don nos deu uma planta da casa com as medidas dos cômodos, deu instruções básicas. A filha de 19 anos faz baby-sitting, mais uma vantagem. A casa estaria vazia dia 1 de março e até lá fomos comprando coisas, pensando nos móveis, essas coisas. No fim de fevereiro Don liga e diz que a casa estava livre e que podíamos ir levando nossas coisas. E entao, dia 2 de marco, um mes depois de chegarmos em Calgary, mudamos.

[caixas, malas, a bagunca e os moveis que montamos]

os vizinhos

Don e Scheila são sensacionais. Desde o começo se prontificaram a nos ajudar. Emprestaram camas, sofá-cama. Don me ajudou a instalar um 'VOIP phone' na casa, muito mais barato que uma linha convencional. E vem aqui a toda hora e pergunta se está tudo bem. Ontem as 6 da tarde apareceu com mesa e computador pras criancas. Veio com Scheila e Kristen, a filha que faz baby-sitting, e acabamos tomando um vinho e comendo uns queijinhos. Ficaram até as 10 da noite e demos muitas risadas. Hoje vamos comer pizzas na casa deles, feitas por eles. É uma tranquilidade prá nós ter vizinhos assim, tão disponíveis. Tivemos sorte, muita sorte. Aliás, estamos tendo sorte com tudo até agora.