janeiro 12, 2009

Anel perdido

A cabeça da gente é mesmo engraçada. A minha é muito seletiva. Lembra do que quer, ou do que acha melhor, no sentido literal, de mais agradável, maior qualidade, de bom. Esqueci completamente que Laura havia perdido o anel que ganhou do Rodrigo. Foi Bia quem me lembrou. E foi um episódio muito marcante.

Acho que no dia seguinte de que ganhou o anel, Laura e os meninos tiveram uma atividade esportiva no clube, a última atividade do ano. Lembro que sugeri a ela que seria melhor que eu guardasse o anel pra que ela não o perdesse. Mas ela insistiu e foi de anel no dedo.

Era fim de tarde, por volta de cinco e meia, quando fui buscá-los no clube. E Laura veio soluçando, chorando, tão triste que partiu o coração. Percebi que a coisa era seria, porque a Laura é bem escandalosa, dramática, do tipo atriz de novela. E olha que não assistimos novela aqui em casa!

No meio daquela folia de crianças se despedindo no meio de um gramado, pais procurando seus filhos, ajoelhei para conversar com ela e Laura, aos soluços, me disse: ‘Pai, perdi meu anel’. Meu coração parou, minha respiração disparou, meus olhos ficaram mareados mas mantive a calma, alguém tinha que se manter calmo frente a gravidade da situação. Abracei-a e disse, sem ter a mínima convicção do que estava falando mas era a única coisa que poderia dizer para confortá-la: ‘Calma, nós vamos achar o anel!’

Olhei aquele gramado cheio de gente e me senti desolado. Pensei comigo, tenho que achar esse anel. Ainda ajoelhado, convoquei os meninos: ‘Diogo e Mario, a Laura perdeu o anel dela, vamos ter que achar o anel! Vocês ajudam a procurar?’ Nem bem acabei de falar e os dois saíram à frente procurando. Eles conheciam bem o anel e sentiram que a coisa era grave.

Dei a mão pra Laura E saímos pra procurar. Eu comecei a suar frio. O que dizer pra menina se não achasse o anel??? Mas em dois minutos, um dos meninos, acho que o Mario, gritou a palavra redentora, salvadora, apaziguadora, restauradora: ‘ACHEI!’ e não é que achou mesmo! Devolvemos o anel pra Laura que a essa altura ainda soluçava mas se acalmou. Disse a ela: ‘Laura, tome cuidado com seu anel, minha filha’. E ela: ‘Pai, você pode guardar o anel pra mim?’ Desde então, ele está aqui pendurado numa tachinha no painel do escritório.

janeiro 09, 2009

Anel

Na última semana de aulas, eles trouxeram pra casa a pasta com os trabalhos feitos no último bimestre. É muito legal ver como eles vão evoluindo na expressividade e no raciocínio lógico.

Uma das atividades era formar pares ou equipes com as reproduções das fotos 3X4 dos colegas. O tema eram esportes, então eram duplas para jogo de tênis, times de basquete, futebol. Isso tudo estimulou o raciocínio matemático. Tinham que contar quantos jogadores e tal. Fiquei impressionado com a Laura. Em todos os trabalhos ela colou a foto dela ao lado da foto do Rodrigo. É, o Rodrigo! Uma graça de menino. Seu único defeito é ser corintiano!

Bom, dois dias depois, chega a Laura, com os olhos brilhantes, faiscando, pra me mostrar uma coisa.
‘Pai, olha o que o Rodrigo me deu’, com as mãos fechadas em concha.
‘O que foi, Laura.’
Ela abre as mãos e exclama, enlevada: ‘um anel, pai!’
‘Nossa!’, digo eu, ‘que lindo!’ Olhando pro anelzinho de plástico completamente arrepiado!
‘Ele gosta de mim pai...’

[coloquei o anel nessa caixinha pra tirar a foto. Que tal a pedra cor de laranja? Pop, ne?]

Pronto, pra que, quase chorei! Não tinha o que dizer pra menina. Minha filhinha, de 4 anos, já pensando nessas coisas? Sei que ela estava levando aquilo muito a sério e me deu o anel, dizendo: 'Guarda pra mim pai, por favor'. Guardei. Está pendurado numa tachinha no mural do escritório. Olho pra ele todos os dias. Apesar de conhecer os pais do Rodrigo, um casal muito legal da escola, e tê-los encontrado no recital de Natal do fim do ano, não comentei o assunto. Pode até ser fantasia da Laura. Talvez o Rodrigo nem tenha dado esse anel pra ela. Não importa. O importante é perceber que a Laura, nossa moleca, é no fundo uma princesa!

janeiro 08, 2009

Virada do ano

Passamos a virada pra 2009 numa casa na represa do rio Jaguari, em Piracaia. Um belíssimo lugar. A represa é limpíssima, a paisagem espetacular. Os dias foram ótimos, ensolarados. Pegamos dias de chuva, mas não atrapalharam em nada.

Os trigêmeos simplesmente adoraram. Os tri adoram os primos Gabriel pequeno e Isabela e pintaram e bordaram com eles. Andaram de barco, de caiaque, nadaram na represa, na cachoeira, na piscina de um clube com tobogã, na piscina da casa e sem bóia, correram, jogaram bola, pularam, fizeram misérias! Como a represa é meio fazenda, meio mato, ficaram soltos por lá, andando por tudo. Foi muito tranqüilo. Bia e eu conseguimos relaxar, bater bons papos com os cunhados [a irmã da Bia e o marido], nadar muito, caiacar [esse verbo não existe, claro, mas designa bem remar no caiaque] e eu até esquiei.

Começamos bem o ano. Espero que daqui pra frente só melhore!

janeiro 07, 2009

Que dia é hoje?

Tenho a impressão de que essa pergunta é um clássico entre as crianças. Não a pergunta ‘que dia é hoje?’, mas ‘hoje é amanhã?’ Essa deve ser uma percepção das mais difíceis para uma criança, a medida do tempo, suas divisões e frações. Afinal, a medida do tempo é uma das abstrações mais fantásticas realizadas pelo ser humano. Acho que só perde, como abstração, para a invenção do dinheiro!

Vira e mexe os tri perguntam ‘podemos fazer isso hoje?’ Eventualmente respondemos: ‘Não, hoje não, amanhã!’ E no dia seguinte eles fazem a pergunta clássica: ‘Hoje é amanhã?’

Outro dia eles vieram com uma nova.
‘Pai, que dia é hoje?’
‘Hoje é terça-feira.’
‘E depois de terça?’
‘Quarta-feira’
‘E depois de quarta?’
‘Quinta-feira’
‘E depois de quinta?’
‘Sexta-feira’.
‘E depois de sexta?’
‘Sábado’.
‘E depois de sábado?’
‘Domingo’.
‘E depois de domingo?’
‘Segunda-feira’.
‘E depois de segunda?’
‘Terça-feira de novo e aí quarta, quinta, sexta e assim por diante.’
Achei que estava tudo esclarecido, quando veio a pergunta difícil de responder:
‘E não tem amanhã, não?’

dezembro 19, 2008

FELIZ NATAL! FELIZ ANO NOVO!

Gostaria de desejar aos leitores, aos comentadores, aos que passam eventualmente, enfim, a todos os amigos que acompanham o blog, um final de ano de muita alegria nas comemorações com seus mais queridos familiares e amigos e um 2009 de muita saúde, sorte e sucesso. Que todos os seus projetos possam se realizar.

Um forte abraço e beijos.

dezembro 18, 2008

espadas

Sábado passado fomos ao recital de Natal promovido pelo colégio das crianças. Já é o quarto ano que acontece o que eles chama de Recital de Natal. O colégio esta numa avenida importante de um dos bairros mais movimentados da cidade, ao lado do centro. O prédio é antigo, tombado pelo patrimônio histórico e fica todo iluminado por luzinhas brancas em volta das janelas e outras luzes azuladas. O palco onde cantam o coral e toca a banda da escola é montado no pátio que dá pra avenida que é fechada para o evento. As pessoas ficam por toda a parte, as crianças brincam soltas. Fica tudo muito bonito. E no final o Papai Noel desceu de tiroleza da janela lá do alto do terceiro andar e caiu no meio do palco, detonando fogos de artifício. Um show!

No meio disso tudo, pipoqueiros, vendedores de refrigerante com suas imensas caixas de isopor e, claro, vendedores de bugigangas brilhantes e piscantes. Assim que chegamos, as crianças pediram pra comprar um negócio daqueles piscantes. Disse que naquele dia não compraria porque esses brinquedos quebravam fácil e tínhamos um monte em casa já quebrados. Tudo bem, entenderam, quer dizer, os meninos, porque a Laura continuou pedindo.

Esse ano estava mais lotado que no ano passado. As vovós e o vovô foram prestigiar e parece que gostaram muito. Vovô e vovó estavam sentados longe da gente, porque não achamos lugares juntos. E Laura pedindo o tal piscante. Uma hora, Bia foi lá conversar com eles e levou a Laura dizendo que o vovô ia dar um piscante pra ela. E não é que a Laura volta com as mãos pra trás, escondendo um daqueles brinquedos! Parou na minha frente com cara de malandra e eu só disse: ‘Não quero nem ver!’ Ela ficou amuada, fez bico, deu meia volta e voltou pra onde estava o avô. Nem cheguei a ver que era uma espada!

Bia, que continuava lá com seus pais, voltou depois de um tempo perguntando o que eu tinha dito pra Laura. Pergunte porque. Por que ela chegou lá amuada, muda, devolveu o brinquedo pro avô, disse que não queria mais. O avô ficou chocado, pensando o que será que o pai falou pra menina ficar desse jeito. No fim, passou o tempo, os meninos foram e voltaram pra lá e pra cá e acabaram ganhando, todos, uma espada piscante e barulhenta cada um. Brincaram adoidado e no final, um monte de amiguinhos tinha um espada igual!

O fato é que o vovô estava querendo dar essa espada pra eles, especialmente pra Laura, há muito tempo. Eu não sabia de nada. Avós podem tudo, são pais com açúcar e a gente tem que saber lidar com isso. Mas que esses brinquedos são chatos, lá isso são! E uma das espadas já quebrou!

dezembro 17, 2008

férias e médico

Os trigêmeos estão de férias desde o dia 5. Ao contrário das férias de julho [veja aqui], está tudo muito tranqüilo. Os três estão cada vez mais autônomos e assim exigem menos atenção. Brincam entre si e se divertem muito. E os primos têm vindo passar uns dias aqui em casa, aí fica mais fácil ainda. Guga de 7 anos, passou duas noites aqui e fiquei surpreso em ver como a Laura grudou nele e brincou com ele num a boa. Muito mais do que os meninos. Agora é a Camila de 10 anos, irmã do Guga que está aqui. Incrível como eles adoram os primos mais velhos! Aliás, eles só têm um primo mais novo, o Gabriel pequeno [é, tem um primo Gabriel grande, de 12 anos. Um de cada lado da família] e esse é a paixão dos tri. Qualquer dia conto as peripécias dos quatro juntos. De qualquer jeito, parece que as férias vão ser muito legais.

Aproveitamos as férias dos três e fizemos o check-up periódico no trio. Uma vez por semestre eles vão dar uma checada no estado geral de saúde, essas coisas de criança, se estão crescendo, garganta, ouvido, secreções, viroses, vacinas, pipi [que aqui em casa é peru!], pipinha e por aí vai. Eles se comportam muito bem no médico e o Diogo deu um showzinho, conversou, respondeu as perguntas, interagiu numa boa.

Estamos cumprindo um plano pra fazer tudo o que temos que fazer antes da provável mudança em meados de 2009. Retirar as amídalas eram parte do plano. Aliás, parece que deu super certo. As amídalas estavam mesmo atrapalhando funções vitais como sono e alimentação. Atualmente eles dorme infinitamente melhor e comem bastante melhor. Estão todos muito bem, super saudáveis como sempre, mas já ganharam peso e cresceram a olhos vistos. A curva dos três melhorou, especialmente a do Mario, que tinha as amídalas maiores.