maio 05, 2008

A deusa da abundância

Pra começar a falar da gravidez da Bia, eu preciso contar como foi a concepção. Até isso tem uma estória, da pra acreditar? Mas tem! E começou quando nos mudamos de apartamento, em julho de 2003. Nos morávamos no Condomínio Harmonia, num apartamento de dois quartos muito legal, super bem localizado, perto do Centro e do Cambuí, o bairro mais consolidado de Campinas, com toda a infra-estrutura. Era um conjunto de três prédinhos típico desse tipo de projeto que nos anos 60 e 70 eram conjuntos populares, financiados pelo BNH ou Inocop: de três andares, sobre pilotis, com uma área livre entre os prédios. Sem elevador, os apartamentos eram muito bons, comparados com os que se fazem hoje de bom padrão: ambientes grandes, janelas grandes, muito bem iluminado, área verde.

Morávamos ali desde nosso casamento e quando começamos a pensar em filhos achamos que devíamos morar num lugar maior. Tínhamos um terreno num loteamento em Sousas e fizemos até o projeto da casa. Mas não ganhávamos muito na época e achamos que não teríamos gás pra construir o que queríamos. Então resolvemos comprar um apartamento. De cara disse pra Bia: ‘então vamos começar pelos prédios que acho interessantes pra ver se têm apartamentos vazios’. Saímos do Harmonia pela Moraes Sales em direção ao centro e descemos a Boaventura do Amaral. Na esquina com a praça Carlos Gomes eu parei: ‘olha esse prédio, é sensacional’. Olhamos e perguntamos para a moça na portaria se tinha algum apartamento a venda. Tinha. Mas o condomínio era bem salgado.

Continuamos procurando e vendo apartamentos por uns 20 dias. Até que a Bia lembro de um amigo nosso que trabalha com imóveis. Estávamos na rua não nossa busca e ela ligou pra ele e descreveu o que estávamos procurando: apartamento de três quartos, amplo, não precisava ser novo, entre o Cambuí e o Centro. A conversa durou uns cinco minutos. Vinte minutos depois ele nos ligou: ‘Bia, eu tenho um ótimo pra mostrar pra vocês, querem ver agora? onde vocês estão?’ Bia falo que estávamos ali, assim, assim e que tudo bem, queríamos ir agora. Ele explicou onde era e que nos encontraríamos na parca Carlos Gomes na esquina da rua Conceição. Tudo bem, fomos pra lá.

Chegamos na esquina da praça, rua Conceição com Boaventura do Amaral. Olhei pro prédio de que gostava pensando onde nosso amigo nos levaria. Ele chegou, nos cumprimentamos e fomos andando em direção ao prédio. Não disse nada. Fomos entrando, subimos ate o oitavo andar. Quando abrimos a porta, uma sala super espaçosa, com um janelão em toda a extensão de frente pra praça, na altura das copas das palmeiras imperiais. Eu comprei o apartamento ali, sem nem saber o preço! E o apartamento inteiro era muito bom, do jeito que queríamos e até muito melhor do que poderíamos imaginar. Comparando com o que tínhamos visto era melhor, tanto em termos de qualidade como de valor. Fechamos negócio ali, na hora!

Isso era final de maio, inicio de junho. No começo de julho já tínhamos mudado. E durante uma semana fizemos nossa festa particular, estávamos tão felizes com o apartamento e a vista que tínhamos que comemoramos todos os dias, sem exagero! E ano deu outra! Segundo a Bia foi durante esses dias que ela engravidou! É, porque como são três, achamos que a concepção aconteceu em dias diferentes! Pois é! Mas, o engraçado é que no prédio só moravam pessoas da terceira idade, literalmente, só senhorinhas, daquelas bem vovózinhas. Muitas delas eram viúvas dos dez construtores do prédio, que o construíram no inicio dos anos 60 para eles próprios morarem (o prédio ficou pronto em 1961, ou seja, tem 47 anos).

E o nome do prédio? Quem adivinha? Ceres. É, Ceres, a deusa da fecundidade da terra, dos cereais, da abundância da colheita! E a gente brincava dizendo que estava lá a deusa Ceres, descansando a quarenta anos, sem nada pra fazer no meio daquelas senhorinhas, até que chegamos eu e a Bia. E a deusa Ceres acordou da preguiça em que estava e tirou o atraso, descontou, lavou a alma. E a deusa nos trouxe a abundância das sementinhas, da fecundação, da colheita e nos deu esses três rebentos. Oito meses depois, em marco de 2004, os três viriam ao mundo. Aproveitamos bem o apartamento sozinhos, bem grande só pra nós dois. Pro barrigão da Bia foi excelente! Foi ótimo pra criar os três, até de bicicletas eles andam aqui dentro. A praça foi ótima pra eles, todas as tardes desciam pra brincar um pouco lá. Mas eles estão crescendo e o apartamento que era grande está ficando pequeno...Eu adoro o lugar, a vista, o espaço. Mas um dia vamos ter que dizer adeus pra deusa...

6 comentários:

Roberta disse...

Que DELICIA ver vcs com esse pacote maravilhoso!!! Que trabalho que nada... Isso é uma benção para poucos! Que vcs encontrem muita luz, muito amor e muita alegria nesta linda jornada. Com carinho, Roberta HM.

Pai dos trigemeos disse...

Cara Roberta!
Voce nao pode imaginar como fiquei emcionado com seu comentario! Obrigado pelo carinho. Sempre fui seu grande admirador.
Grande beijo.

Soraya Cruz Wallau disse...

Ai q legal!!! Vc tem q transformar esse blog em livro!
Ps: Claro q eu chorei com esse post tbm!. hahaha.
Bjão pra vcs!

Daniella Favilla disse...

Pai dos trigemios! Oi! Tudo bem?
Encontrei com a Bia mes passado e fiquei curiosa de ver o blog... e aqui estou, me divertindo bastante e compartilhando varias coisas dessa experiencia impar (literalmente!)
Pois muitas alegrias com a tchurminha, que é LINDA!!!!
bjo gde!
(obs: até hoje tenho aqui o livro: Barcelona paso a paso, pretendo te devolver um dia...)

Anônimo disse...

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Anônimo disse...

Linda a história de vcs! A deusa da abundância passou por aqui também, não de uma vez, graças a Deus! Uma de 12, outra de 4 e os gêmeos de 1 ano e 4 meses. Sim, meu querido, 4! Estou para ficar doida, ou já estou, nem sei... Com os gêmeos também foi uma surpresa. Queríamos um menino então partimos para o terceiro filho. Num momento de desespero com um sangramento muito forte e a quase certeza de que perderíamos o bebê diz a médica que fazia a eco:"os dois estão bem" Como assim? Mãe e bebê... não, os dois BEBÊS! Quase morremos! Felicidade, preocupação... mas conseguimos nosso menino, melhor 2 meninos idênticos e lindos! Mas que dão um trabalhão... Obrigada pelo blog, estou amando! Espero sobreviver, como vcs!
Abraço,
Estela