maio 12, 2009

semana atípica

Bia foi viajar no sábado, antes do dia das mães. Lembrei da época em que viajava com freqüência, quando os tri eram pequenos. Isso durou quase tres anos. Dessa vez vai ficar uma semana fora. As crianças sentem, ficam mais sensíveis, mais ligados em mim, querendo carinho, colo. Faço o possível para amenizar a falta momentânea, que pra eles não deve ter um tempo preciso. Hoje e amanhã ainda são conceitos abstratos.

Ontem fiz lanchinho rápido com eles num pequeno café em frente ao mercado. Pão de queijo e suco. Depois compramos pasta de dente, aquelas com super heróis, carrinhos, coisas do tipo, que eles valorizam tanto e groselha, uma preferência aqui em casa. Aproveitei e dei de presente uma caixa de cereal que eles adoram, que só é permitido nos fins de semana. Pequenos prazeres que distraem o coração.

maio 11, 2009

tosse [2]

A tosse aqui em casa já leva uns dois meses. Começou com o Diogo, que tossiu por quinze dias. Nossas investidas contra ela foram em vão, durou o que tinha que durar [leia tosse, de setembro de 2008]. Uma semana depois, foi a vez do Mario, tosse por uma semana e resistência a qualquer providência. Agora é a vez da Laura. Como toda tosse, se agrava à noite. E dá-lhe soro pelo nariz que é a melhor nessas horas..

É a primeira vez que ficam doentes em seqüência, normalmente pegam as coisas todos juntos, então é trabalho triplicado em período concentrado. Dessa vez tem sido trabalho individual extensivo. Lembro de quando contraíram o rotavírus. Aí sim, tivemos trabalho. Interessante que não apresentam outros sintomas, apenas muco, tosse e dor de cabeça. Nada de febre, dor de garganta, dores pelo corpo, nada. Acho que não correm o risco de contrair o vírus A (H1N1). Assim espero!

Nessa época do ano eles ficam mais propensos a contrair doenças respiratórias mesmo. E olha que fazemos um trabalho preventivo, aplicando soro pelo nariz pelo menos 3 vezes por dia, constantemente, sem trégua. Acho que é um dos preços a pagar por morar no centro da cidade.

maio 10, 2009

dia das mães [1]

Mamãe Bia, hoje é seu dia! Feliz dia das mães! Parabéns! Te amamos. Para as duas vovós, Maria e Guguta, mamães com açúcar também desejamos um dia das mães muito feliz. Beijos,
Diogo, Laura e Mario e Octavio

dia das mães [2]

A todas as mães que nos acompanham, desejamos um feliz dia das mães. Um grande abraço com muito carinho dos trigêmeos Diogo, Mario e Laura e Octavio

maio 09, 2009

aguenta!

Hoje, às seis e meia da matina, o trio apareceu na nossa cama. Mais cedo do que acordam todos os dias, eu os chamo às seis e quarenta. Pois é, nem nos fins de semana eles dão uma trégua. Energia a mil por hora. E às oito da manhã já rolava uma ‘atividade’, como eles dizem. O jeito é ter disposição, o difícil é mantê-la até o fim do dia, que hoje vai ser beeem looongo.

maio 08, 2009

manhã de domingo no clube

Cada um escolheu um boné [cadê o da Laura?] e fomos passar a manhã no clube. Balanço e geladinho [ou chup-chup] fizeram a festa.
Dá pra ver a Laura no balanço de trás, voando? Está no canto esquerdo das fotos, no alto. Essa menina....

maio 07, 2009

minha avó Martha 2

[...continuação]

Nunca vi minha avó reclamando de nada. Quando mudamos pra Campinas, ela quis vir junto. Vendeu suas coisas e veio, sem falar nada. Adaptou-se suavemente, sem alarde, sem reclamações. Refez sua vida, montou seu apartamento, seu dia a dia. Tinha um apartamento confortável e morei com ela quando estudava na faculdade. Meus pais moravam num distrito na zona rural da cidade, para chegar ao campus da universidade levava em torno de hora e meia dentro de dois ônibus, contando a espera por um e outro. Então ganhei um quarto em seu apartamento de viúva no bairro mais central da cidade. E lá fiquei por 2 anos.

A convivência com ela era muito tranqüila. Eu levava minha vida de estudante, saindo cedo e chegando tarde sempre procurando não incomodá-la. Conversávamos muito. Nessa época escrevi pra ela um pequeno livro de poemas sobre meu amor por ela. Ela levava uma vida frugal e de certo modo excêntrica. Dormia tarde, fumava muito, não cozinhava. Não fazia de modo algum o estereotipo da vovozinha, cheinha, doceira, boleira. Nada disso, muito pelo contrário. Adorava um baralho e uma jogatina madrugada a dentro. E não dispensava a companhia de meus amigos e de minhas irmãs. Todos eles a adoravam e batiam altos papos com a vovó.

Minha avó Martha parecia um passarinho. Mas um tipo especial de passarinho. Acho que posso resumir as seis coisas básicas que ela precisava pra a viver.

Cigarro
Vovó era uma fumante inveterada. Fumava muito. E cigarros ruins. Minister, Free, esses venenos. Era coisa de família, sua mãe, Augusta, fumava e mascava fumo, e de um tempo em que o cigarro fazia parte da composição da personalidade, do charme, do toque a mais. Andava com uma bolsinha de cigarros que comportava o maço, o isqueiro e um apagador de cigarros. Nos últimos anos de sua vida, mantinha uma escarradeira ao lado da poltrona onde passava boa parte de seu dia.

Televisão
A televisão ficava ligada o dia todo, até altas horas da madrugada, quando ia dormir. Era viciada em televisão, especialmente nas novelas. Assistia a todas. Ficava tão envolvida com as estórias que chegava a conversar com os personagens. Era comum ouvi-la dizer ‘sua bisca’ pras personagens femininas de quem não gostava.

Tricô
Fazia tricô dia e noite. Trabalhos enormes, complexos. Usava agulhas circulares. Inventava pontos. Junto com a irmã Maria Rosa havia inventado pontos e padrões maravilhosos, quase rendas. Fazia chales, casacos, roupas de bebês muito bonitos. Davam aulas, tinham discípulas. À medida que tricotava, ia assobiando baixinho e, a intervalos regulares, levantava os olhos pra acompanhar as novelas. Fazia as duas coisas juntas, não sei como.

Baralho
Adorava um jogo de cartas. Isso desde os tempos de casada. Sua casa era ponto de encontro de amigos e conhecidos aficionados da jogatina. Naquela época jogavam de tudo, buraco, pif-paf, pôquer. Depois ela ficou só no buraco. Tinha uma memória aguda, sabia todas as cartas saídas do baralho, sabia a mão de cada um na mesa, era um azougue, como ela dizia. Seu maior adversário era meu pai, outro ótimo jogador, brigavam, brincavam, se adoravam, genro e sogra.

Café frio
Com o tempo desenvolveu esse hábito de beber café frio. Fazia café de manhã, tomava uma xícara morna e o resto do dia tomava goles de café frio.

Bis
Em sua casa não faltava Bis, esse chocolate que deve ter mais de meio século de idade, da Lacta. Ela não ia ao mercado comprar comida e sim Bis. Fazia cotação de Bis, perguntava o preço em outras lojas, solicitava que alguém pesquisasse outros preços. Passava o dia praticamente a café frio e Bis.

Ela nos deixou suavemente. Não sofreu muito mas já respirava com dificuldades em seus últimos dias. Enfisema. Depois que morreu fomos arrumar seu apartamento, juntar suas coisas, guardar suas memórias. Procurei pelo livro de poemas, mas não encontrei. Nunca mais o vi. Achamos coisas interessantes, achados quase arqueológicos. Entre tantas coisas, achamos extratos do Banco do Brasil dos anos 60 junto a um belo estoque caixas de Bis.