julho 30, 2008

Ah! Se não fossem as avós...

Vovo Maria e sua preferida...
Se não fossem as avós, não sei se teríamos conseguido fazer tudo o que fizemos, da maneira que fizemos. Elas foram fundamentais para a realização dessa empresa Trigêmeos S. A. Sim, por que é uma empresa, uma empresa e tanto. As avós foram e ainda são peças chave para o desenvolvimento das crianças e para a manutenção da vida familiar.

Elas estavam aqui nos primeiros dias, colocando a mão na massa. Elas estavam aqui quando precisávamos dormir um pouco mais. Elas estavam aqui quando as crianças tinham qualquer alteração de saúde. Elas estavam aqui pra brincar, passear, tomar conta, contar estórias, pra cuidar dos tri-netos.

Dizem que avós são mães com açúcar. Deve ser verdade, por que os trigêmeos adoram as avós. A verdade é que netos também são filhos com açúcar. Acho que as avós se sentem responsáveis pelos netos tanto quanto pelos filhos, mas não carregam o peso de serem os genitores e os principais responsáveis pela educação dos pequenos seres.

Minha mãe, a vovó Guguta, dormiu aqui por quatro meses seguidos, logo que eles nasceram. Dormiu é só modo de dizer, ela vinha pra cá e trabalhava a noite toda, eram mamadas de 2 em 2 horas. Minha sogra, a vovó Maria, os leva pra Ubatuba sozinhos e eles vão felizes da vida. Eles almoçam na casa da vov’o Maria uma vez por semana, pelo menos.

Se não fossem as avós, não poderíamos ter feito as viagens que fizemos. Eu não poderia ter terminado meu doutorado com tranqüilidade. A Bia não poderia ter desenvolvido sua carreira como fez. Elas são um pedaço da nossa felicidade. Os trigêmeos sentem saudades delas, querem telefonar, querem vê-las, ficar com elas, brincar, receber o carinho açucarado que só elas sabem e podem dar.

Ah! Se não fossem as avós, acho que os trigêmeos não seriam felizes como são!

Vovo Guguta e os tri

Flash! [6] Foto da Bibi

Ainda bem que a Bibi tem uma foto dela com os tri! Ela gentilmente nos cedeu a imagem, enviada por email. É uma foto recente, da última visita que ela nos fez. Valeu Bibi!

julho 25, 2008

Flash! [5]

Quando bate uma tristeza, por qualquer motivo, não tem jeito. Chego perto dos meus tri, abraço, beijo, converso. Não tem melhor remédio. A tristeza vai embora. Ouvi-los contando suas histórias, falando, inventando, conversando entre eles dá um ânimo novo. A gente chega perto e eles logo se encarapitam por cima da gente. A gente senta entre eles e eles vão se encostando, se aconchegado. Eles querem a gente em volta deles. E quando a gente vê, já esqueceu a tristeza, nem lembra mais. E fica feliz de novo, mais leve, pronto pra próxima.

julho 22, 2008

p a r a l e l a s [ 5 ] - The Fabulous Four from San Diego

Meu amigo Caê, aquele que ia ter trigêmeos também, teve quadrigêmeos! Que fantástico! Uma semana antes do parto, fizeram um ultrassom e descobriram mais um! Ele disse que não conseguia aceitar até que viu, três dias depois, os 4 batimentos cardíacos diferentes.

Os quatro nasceram bem saudáveis, de 8 meses e meio e sua mulher, Alessandra, está muito bem também. Já estão indo pra casa. Segue aqui o link para ver um vídeo do telejornal de sua cidade. Eles viraram celebridades locais.
http://www.cbs8.com/features/your_stories/story.php?id=135064

Lembra que comentamos que deveria ter sido alguma coisa que tomamos na faculdade? Pois é, o Caê deve ter tomado uns goles a mais....

julho 21, 2008

Bibi, Fabi, Fabiana

Quando as primeiras babás se foram, a cunhada da Bia deu a dica de uma moça que havia trabalhado com ela, a Tata. A Bia ligou e a Tata disse que estava com viagem marcada pra visitar uns parentes [acho que era esse o motivo], ficaria um mês fora.e depois disso poderia assumir a função. Enquanto isso, a Tata tinha uma irmã que queria trabalhar e podia começar já! Ótimo! Diz pra ela vir já, endereço tal, chega assim, assim. Tá certo!

Seu nome era Fabiana. Ficou combinado que ela ficaria conosco enquanto a Tata não voltasse de viagem. Tudo bem. Acontece que a Fabiana, em uma semana tinha conquistado as crianças. Ela tinha um carisma, uma segurança das coisas que fazia. Ela se sentava no chão com as crianças pra brincar com elas. Depois de um mês, as crianças a adoravam e a Tata chegou.

Montamos um esquema com as duas irmãs e continuamos com as duas. Cada uma tinha um horário e assim as crianças tinham sempre alguém com elas durante 12 horas. Funcionou muito bem. Depois as crianças entraram na escola e o esquema mudou um pouco, mas acho que tivemos as duas em casa por algo em torno de um ano. Foi um sossego. Até o dia em que a Tata resolveu ir embora, não sabemos até hoje por que.

A Fabiana ficou, sozinha e se tornou cada dia mais espetacular com os trigêmeos. Ela se jogava no chão com eles, deitava, rolava, contava histórias, brincava junto, virava criança. Além disso, cuidava da casa, faxina, comida, roupa, tudo. Acima de tudo, ela cuidava muito bem das crianças, dava comida que era uma beleza, fazia tudo com muito carinho, tinha um apelido pra cada um. A Laura era a bruxinha. Ela ficava 12 horas lá em casa e ganhava um salário compatível. Sabíamos que o trabalho era pesado e na hora da soneca das crianças ela também dava uma descansada. Ninguém é de ferro, né??!!

Nunca tive problemas com a Fabiana, diferente das outras mocas que trabalharam lá em casa. Eu conversava com ela, dava as instruções, ela dava idéias, discutíamos as melhores opções, e chegávamos a acordos. Quando ela não sabia fazer tal coisa me avisava, quando precisava de alguma coisa pedia, quando tinha compromissos pessoais era liberada, chegava mais tarde. Ela tinha suas responsabilidades e as cumpria, mas também tinha liberdade. Era uma parceria e tanto. Tínhamos total confiança nela.

Os trigêmeos a adoravam. Mais importante ainda, a respeitavam. E muito! Nós a chamávamos de Fabi e eles de Bibi. Ela ficou dois anos aqui em casa. Foram dois anos fantásticos pras crianças. E pra nós também.

Um dia ela disse que queria ir embora. Veio falar comigo. Eu quase chorei. Era culpa do Marcão, o maridão. Eles queriam começar uma nova fase, ficar mais juntos. Ela já tinha dito que queria ir embora uns seis meses antes. Nós, então, mudamos o horário, deixamos mais light, aumentamos o salário e ela ficou. Aí, acho que a Fabi cansou, foram dois anos de trabalho duro, apesar de ela gostar muito das crianças. Eu fiquei triste, mas disse que se era isso que ela queria, tudo bem. Na verdade fiquei bravo, não queria que ela se fosse. Bia ainda conversou, argumentou, mas não adiantou.

Ela se foi. E deixou as crianças com muita, muita saudade. Até hoje eles falam da Bibi. Acho que não vão esquecê-la jamais.

[nao achei nenhuma foto da Bibi, nas 10 mil fotos que tenhos dos tri...so essa...puxa vida, sera que eu so tiro fotos deles nos fins de semana?]

julho 18, 2008

Joelhos!

Isso é coisa de índio. Sempre ouvi falar isso, acho que já li superficialmente sobre o assunto. Os índios se abaixam pra falar com as crianças, pra não diminuí-las, pra que elas se sintam como iguais aos maiores. Acho isso genial. Também não sei em profundidade, mas me parece que algumas correntes pedagógicas também adotam essa postura. Acho isso ótimo.

Eu sempre fiz isso, me sentava no chão, me agachava, ficava de joelhos, com todas as crianças, principalmente com meus sobrinhos e já se vão 14 anos desde que nasceu o primeiro. Agora eles estão ficando maiores do que eu, então parei de me sentar no chão pra conversar com eles. Com os trigêmeos não foi diferente e ainda não é.

As crianças percebem isso e valorizam as pessoas que as tratam com tal atitude. Elas se sentem mais próximas dessas pessoas, criam afinidades mais rapidamente, se sentem à vontade. Costumo avaliar pessoas que lidam com crianças por essa atitude. Certa vez entrou um auxiliar de classe nova na turma dos trigêmeos e na primeira vez que a vi conversando com as crianças, falei pra Bia: ‘Essa moça não vai durar uma semana, não leva jeito’. Ela não se agachava, ficava com o corpo dobrado pra frente, sobre as crianças quando ia falar com elas. Acho que pode parecer, pras crianças uma atitude um pouco intimidadora. Dito e feito, na semana seguinte já havia uma outra moça. A primeira professora deles não saia do chão, o máximo, sou fã dela. Nossa segunda babá, de que ainda vou falar aqui, se jogava no chão com as crianças, parecia um deles e tinha as crianças nas mãos, eles a obedeciam tranquilamente.

Bom, de tanto ficar no chão com os trigêmeos, sentado no chão com as pernas cruzadas feito índio ou ajoelhado no chão que comecei a ter problemas nos joelhos. Primeiro porque eu sentava com as cruzadas e as crianças sentavam no meu colo, então forçavam meus joelhos pra baixo. Sentia dores horríveis, fisgadas que me atrapalhavam até a andar. Isso passou porque não dá mais pra com três crianças de 17 quilos cada uma sentadas nas suas pernas. Depois, de tanto ficar ajoelhado, criei uns calos no joelho. Sabe Joelho de criança, áspero, grosso, meio ressecado e cinzento [eca!]? Pois é, hoje em dia meus joelhos são assim. Estou tentando resolver, passando uns cremes da Bia e da Laura, mas os calos continuam lá.

As dores nos joelhos me preocupavam e intrigavam. Gosto de enxergar o corpo como uma coisa complexa, em que o mental está ligado ao físico, um incidindo sobre o outro reciprocamente. Pode-se dizer uma visão holística e psicossomática. Então, quando eu ainda sentia aquelas dores, procurei por um livro que pudesse dar uma explicação sobre o significado de problemas nos joelhos. Encontrei um livro de um francês, Michel Odul, que oferecia explicações muito interessantes [Diga-me onde dói e eu te direi por quê, Campus].

Diz Odul: ‘As dores, os problemas mecânicos nos joelhos significam que uma emoção, uma sensação, uma idéia ou uma memória da nossa relação com o mundo não esta sendo aceita, esta até mesmo sendo recusada’. Cada joelho tem relação com um aspecto da vida. O joelho que mais me doía era o esquerdo. E aí vai: ‘Se for o joelho esquerdo, a tensão está relacionada à simbólica Yang [paternal]’. Não é incrível, não é fantástico? Claro que eu tinha que ter problemas nos joelhos, principalmente no esquerdo. Meu problema, no bom sentido, claro, era a paternidade, ser pai de trigêmeos, uma carga pesada que eu sentia, literalmente, sobre os joelhos. Depois que descobri isso, fiquei tranqüilo. Não ia ficar manco, não, era só uma questão de tempo.

Agora restam os calos que pelo jeito vão ficar aí por um tempo, como as marcas dessa paternidade tripla.

julho 17, 2008

p a r a l e l a s [ 4 ] – Um pouco pingüim

Quando assisti ‘A Marcha dos Pingüins’ [Luc jacquet], chorei que nem gente grande! Que nem gente grande chorando como criança, de soluçar. Aquele filme mexeu muito comigo, tanto que fiz questão de ter uma cópia. O filme é muito bom, as imagens são maravilhosas, a musica é linda, o tema é muito original e a locução brasileira é na medida. As vozes da Patrícia Pilar e do Antonio Fagundes têm a firmeza e a delicadeza que o filme pede. Acho que a Bia também ficou muito emocionada. As crianças eram pequenas, a gente estava naquele sufoco dos dois primeiros anos, trigêmeos, pouco sono, pouco tempo pra nós dois, pouco tudo. E muita, muita, muita doação, só dando carinho, atenção, cuidado.

Eu me identifiquei com aquele pai pingüim, com o cuidado que ele tinha que ter com o ovo para que não tocasse no gelo, para que vingasse a cria. Fiquei morto de pena dos pais que não conseguiam cumprir a tarefa, com suas demonstrações de desolação. Ainda mais que eu tinha aquele antecedente de ter deixado o Mario cair de cabeça no chão. Fiquei muito emocionado com o espírito de equipe dos machos que tinham que se agrupar, se reunir, ficar juntos para que todos pudessem realizar seu projeto pessoal.

Eu me identifiquei com um animal em que o macho tem um papel extremamente importante para a concepção dos filhotes. Os pingüins dividem a responsabilidade da concepção do futuro rebento. E o mais incrível é que essa responsabilidade não corresponde ao que se espera do macho, de qualquer espécie, do homem, enfim. Entre nós, o mais comum é o homem sair atrás de comida enquanto a mulher fica em casa. E os pingüins invertem isso. O macho cuida do ovo, enquanto a fêmea vai em busca de comida, se aventura, como se desse um tempo das responsabilidades, fosse espairecer um pouco.

Não era exatamente isso que a Bia fazia naquela época, mas ela tinha um cargo regional e viajava pra lá e pra cá o tempo todo, ficava dias fora. Eu dava aulas 3 dias e meio por semana e fazia minha tese, passava as noites em casa com as crianças. Cuidava da crias. Outra diferença é que entre os homens não há tanta solidariedade, não tem essa de agrupar pra cuidar dos filhos não. Aliás, a regra é que cuidar de filhos é tarefa de mulher.

Enfim, passei a achar o pingüim um bicho genial, dotado de uma sensibilidade singular, virei fã do bicho! Fiquei pensando que eu queria ser um pouco pingüim...

julho 14, 2008

A troca das babás

Em meados de 2005, fizemos uma troca de babás. Foi uma experiência meio traumática. Não, não por causa dos trigêmeos, eles sentiram bem menos a mudança do que eu poderia imaginar. A situação da saída da babá é que foi traumática. Especialmente pra mim.

Desde que comecei a trabalhar sempre desenvolvi alguma atividade em casa. E isso já faz tempo, desde de meus quinze anos, quando comecei a fazer serigrafia. Sempre tive um canto que era meu estúdio, sempre tive um tempo pra trabalhar em casa. Quando os trigêmeos nasceram, além das atividades na universidade eu estava na metade do prazo a cumprir para concluir o doutorado. Ou seja, estava mergulhado no texto da tese, lendo e escrevendo muito.

Pra quem trabalha com textos, lendo ou escrevendo, seja na área acadêmica ou em qualquer outra área, sabe que é necessário tranqüilidade e uma boa dose de silencio sem a qual fica difícil se concentrar e fazer o trabalho render. Agora imagina uma casa com três crianças pequenas, duas babás e, eventualmente, uma avó, uma au pair, uma visita...não havia um minuto de sossego, era barulho o dia todo. E olha que nessa época os trigêmeos tiravam uma bela soneca a tarde. Os meses iam passando e meu trabalho não rendia. Comecei a reclamar do barulho, pedindo um pouco de atenção às vozes altas. Mas não adiantava. Mesmo na hora da soneca, as babás falavam alto, muito alto.

Uma das babás que trabalhava com a gente tinha sido funcionaria do hotel onde a Bia havia sido gerente. Era uma menina animada, pra cima, segundo a Bia com características de liderança. Mas gostava de encrenca, fato que a Bia não levou em consideração por achar que a moca daria conta do recado. E realmente dava, cuidava dos três numa boa, com a ajuda da outra moça. Eu gostava dela, mas a achava um pouco desrespeitosa, havia nas suas atitudes uma certa insolência.

Como eu ficava mais tempo em casa, era natural que desse algumas instruções pras moças que trabalhavam conosco. Mas, como a babá era uma líder, queria fazer as coisas do jeito dela e não gostava de receber instruções. Como eu reclamava do barulho, ela ficou melindrada e começou a não cumprir as coisas que eu pedia. Na verdade, ela queria mandar na casa, fazer as coisas do jeito dela, como ela achava que deveriam ser. E essa situação foi se agravando, até o momento em que não suportei mais a agressividade dela e brigamos, brigamos feio. Ela foi embora, depois de muita briga e escândalo. A outra moca foi embora logo depois.

Depois disso comecei a observar algumas coisas comuns em todas as mocas que trabalharam conosco. Nenhuma delas gostava de receber instruções minhas. Nenhuma delas parecia ficar confortável com o fato de que eu entrava na cozinha pra preparar um ou outro prato. Nenhuma delas achava normal trabalhar numa casa em que um homem também passa o dia trabalhando. Essa é uma teoria muito particular, mas acho que tem fundamentos. Não sou sociólogo, mas acho que tenho alguns argumentos que podem ser facilmente confirmados pelas ciências sociais.

As mulheres são machistas a ponto de achar que homens não podem ficar em casa, trabalhar em casa. Homens na cozinha, então, incomodam os lugares mais recônditos da alma feminina. Homens dando instruções de como cuidar da casa, bom, aí é demais pra elas, elas não conseguem suportar. Acho que isso é cultural, nossa sociedade é matriarcal, a casa é lugar de mulheres, os homens devem sair, pra trabalhar, pra caçar, pra viajar, explorar, ir às guerras ou até mesmo vadiar, arrumar outras mulheres, qualquer coisa, menos ficar em casa. Claro, essa é a história da humanidade, foi assim desde o início dos tempos, isto está enraizado na memória coletiva de todos, é difícil quebrar paradigmas. E também claro que essas são generalizações grosseiras a partir de uma experiência muito particular. Mas as ciências são feitas a partir de generalizações.

As crianças tinham por volta de um ano e meio e não sentiram muito a mudança. Em poucos dias já tínhamos uma nova babá nos ajudando e essa merece um capítulo a parte. O saldo, pra mim, foi positivo. Depois de constatar que as mulheres não suportam homens em casa e de aceitar o fato de que com 3 crianças em casa eu teria que achar outro lugar pra escrever minha tese, aluguei uma sala num prédio comercial antigo no centro da cidade. Então pude entrar na ultima fase da concepção do meu quarto filho e terminar minha tese de doutorado dentro do prazo.

Flash 4 – férias!!!

[Como eles gostam de se fantasiar...vivem mesmo um mundo de fantasias]

Férias com crianças pequenas exigem planejamento. Senão eles não agüentam ficar em casa, sem fazer nada e nos não agüentamos a amolação deles pedindo pra fazer alguma coisa. Alem de planejamento é necessário um pouco de criatividade. E oportunidades... são tantas coisas que vão acontecendo umas depois das outras que a gente fica até cansado. Eles também ficam um pouco cansados, mas no final adoram. Depois de um período de férias agitado, eles mudam bastante, crescem, porque experimentam uma serie de novas situações. É viajem pra praia, clubinho de férias, visitas dos primos, atividades recreativas em tudo que é lugar.
[banhos relaxantes de banheira]

Pra não termos que enfrentar ‘Power Rangers’ durante as férias todas, resolvemos deixar as crianças no clube todas as manhãs. Fechamos um pacote de almoço com a cantina e eles almoçam por lá, acompanhados da babá. Voltam pra casa por volta das 3 ou 4 da tarde. É o tepo de tomar um banho, descansar na frente da TV vendo algum desenho [os favoritos hoje são ‘Caillou’ e ‘Charlie e Lola’] ou filme [os prediletos agora são ‘A era do Gelo 2’ e ‘Spirit’]. Estão tão cansados que às 6 horas estão jantando e as 7 e meia estão indo pra cama, destruídos.

[fazendo massa de pizza com tio Gui]

As férias estão só na metade...e eu fico pensando que isso tudo pra eles é ótimo, mas que as férias são um pouco longas...e essas são só as férias de julho, hein...!?

[minha sereia catando conchas e dois aprendizes de surfista]

julho 10, 2008

Legado – let it be

Ah! Não sei, não.
Antes mesmo dos trigêmeos nascerem, uma das minhas grandes preocupações foi com o que seria dessas crianças. Caramba, olhando pro Brasil hoje dá medo de pensar no que pode acontecer com eles no futuro, ou mesmo no presente. Brincava com a Bia que ter um filho seria ótimo e daria até pra mandá-lo estudar na Suíça [na verdade eu queria me ver livre da criança, antes mesmo de tê-la!]. Conversando sobre isso com o amigo, grande amigo Ivan, ele disse uma coisa que me fez chorar: ‘Ivan, vou ter trigêmeos, cara, o que vai ser deles?’ E ele: ‘O mundo está precisando de mais pessoas legais, fica frio’.

Não dá mesmo pra saber o que será feito deles, que futuro os aguarda. Mas o outro lado dessa história é: o que será de mim? Era isso que eu me perguntava desde que soube que seria pai de trigêmeos: como eu seria como pai? Mas essa é uma pergunta que não para por ai. Na verdade, quando pergunto o que será de mim, estou querendo saber o que restará de mim para meus filhos, o que vou deixar pra eles?

Não estou falando de coisas materiais, de bens, de dinheiro. Não só, claro que essa é uma preocupação, mas sei que, infelizmente, como pai idealista que sou, não deixarei muito pra eles. Falo principalmente de um legado imaterial, impalpável. O que vou deixar pra eles, que imagem eles guardarão do pai? Sabe, aquela coisa como valores, princípios que podem nortear a vida, que podem ser a estrutura deles para a vida. Difícil. Hoje em dia, esses valores estão cada vez menos cotados, parece que ninguém liga, não esta nem aí.

Acho que isso é reflexo de uma sociedade que valoriza cada vez mais o ter sobre o ser. Importa o que você tem, o que você pode comprar, o que você acumula e o que você mostra e conta pros outros. E se você tem, você pode tudo, mais que os outros, é mais poderoso. E sendo assim, não precisa ser educado, não precisa ter escrúpulos, valores éticos, nada. Eu estou cansado de ver gente mal educada, quanto mais rica, mais mal educada. Claro existem exceções.

Mas esta se tornando uma regra. Carrão bonito, novo? Sai da faixa de pedestre porque esse passa por cima. Moça cheia de jóias? Cuidado que ela vai se virar batendo a bolsa em você e não vai se desculpar. No clube? As pessoas quase te derrubam da mesa onde você estava sentado sem a menor cerimônia, como se fosse normal. Isso chateia mais porque é de se esperar que com tanto dinheiro, essas pessoas tenham tido acesso a educação de qualidade, tenham tido mais possibilidade de contato com a cultura de modo geral. Criar filhos num lugar em que existe uma apartheid social considerado apenas como um dado de segurança é muito complicado. E isso porque os índices econômicos das classes mais baixas melhoraram muito. Mesmo assim, aquele 5% da população que tem grana junto com os 10% que tem aspirações parece que quer eliminar os 85% que fazem a maioria desse país.

Essa é uma das razões pelas quais gosto de morar no centro. Moro em frente a uma das praças mais movimentadas da cidade e meus filhos convivem com a diversidade. Acho horrível essa coisa de morar encastelado, entre muros altíssimos. As pessoas ficam com a impressão de que não existe coisa pública, de todos. Também, com os exemplos políticos que temos, quem liga pra coisa que deveria ser de todos?

Mas eu estava falando do que seria de mim e do que eu deixaria como legado para meus filhos. Não sei dizer. Essa é uma das angústias que sinto sendo pai. Sim, é angustiante lidar com seus limites, saber que você pode dar apenas aquilo que você tem como valores e princípios e que isto é o tempo todo confrontado pela sociedade a ponto de atribuir-lhes valor nenhum. Eu me sinto completamente impotente, completamente.

Foram tantas as frustrações desde que eles nasceram e serão tantas ainda ao longo de minha vida com eles. Eu tive a frustração de não poder levar minha mulher pro hospital no dia do parto. Nem de trazê-la pra casa no dia de sair do hospital. Por que sempre havia muita preocupação e cuidados dos outros. E há a frustração de ter que ter a ajuda dos outros, sempre, sempre, sempre. Eu, que prezei sempre, tanto, minha autonomia. Talvez seja uma lição que a vida está me ensinando, permitir que os outros tomem conta do que eu julgo que é meu. Mas que de fato pode não ser...eu sou o primeiro a defender que os filhos devem ser criados pra vida....

Mais uma vez, vou dizer não sei. Não sei o que será dos trigêmeos, não sei o que será de mim. Não sei o que deixarei pra eles, não sei o que eles guardarão de mim. Como disse a K, uma grande leitora do blog, citando John Lennon: ‘Life is just what happens to you while you are busy making other plans’. A frase é perfeita, porque faz parte da música que o Lennon fez pro seu filho Sean: Beautiful Boy.
Será melhor não fazer planos??? Será melhor só ‘Let it be’? É, talvez sejam mesmo ‘words of wisdom’!

julho 05, 2008

No banheiro

O banheiro deles é bem bacana, pelo menos eu acho, pastilha vidrotil verde, pecas café-com-leite, armários brancos, bem iluminado, arejado, bem anos 60, época em que o Ceres foi construído. É um lugar especial pra eles, já que ali eles fazem grandes obras [os psicólogos podem explicar melhor isso...!...?]. Então eles gostam do lugar e passam bastante tempo no banheiro. Brincam, lêem estórias, livros, sei lá, gostam do lugar. Quando um vai fazer cocô o outro vai com um livro pra ler uma estória, é muito engraçado. Dá uma olhada na cena...

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Flash! 3 – a gaveta de cada um

Depois daquela 'mesinha dos trigêmeos', montei outra mais apropriada pra idade deles, sem encaixe tipo cadeirão, mas com gavetas, tipo mesa de escola mesmo. E a gaveta da Laura é demais, abarrotada. Ela guarda tudo ali, tem tudo o que ela precisa, ou acha que vai precisar, e mais alguma coisa. Comparando com as gavetas dos meninos, tive um acesso de riso. Os moleques não estão nem ai pra coisa, não querem nem saber. Eles guardam pedras, pedaços de caixa de papelão, lápis quebrados, um ou dois carrinhos, sei lá, nada útil. Muito engraçados esses três! Não sei se vai dar pra ver a diferença muito bem nas fotos.

gaveta da Laura:
de lapis de cera a maquiagem, de elastico de cabelo a porta moedas, de fivelas a hot wheels, de tudo que eh importante, um pouco...

gaveta do Mario

gaveta do Diogo

julho 04, 2008

Outros banquinhos


Não posso esquecer de falar dos banquinhos que fiz pra cozinha e pro banheiro. Pra nós eram equipamentos muito necessários. Não dá pra ficar levantando 3 pra lavar as mãos, o rosto e escovar os dentes. Nem pra ficar olhando o que esta sendo feito na cozinha. Eles adoram cozinha, o trabalho com as mãos, a mistura, a mágica da alquimia, 3 ou 4 coisas juntas viram uma outra coisa completamente diferente, o forno, o fogo, a transformação. É realmente mágico, se pensarmos bem. Eu tambem gosto...

Usamos esses bancos até hoje. Eles arrastam daqui pra lá de vez em quando. Nem sempre o uso é de fato como banco...

O banco da cozinha fica guardado ao lado da geladeira e às vezes vira toca, esconderijo, brinquedo.

Gradinha


Por algum tempo, quando eles começaram a andar, colocamos uma gradinha dessas de colocar em escada na porta do tatame. Era prático, eles ficavam ali, dentro de um quarto, fechados, enquanto as auxiliares cozinhavam ou limpavam a casa. Funcionou bem por quase um ano. Depois cansamos da coisa e achamos que não dava mais pra limitá-los a um único espaço, mesmo que por pouco tempo.

Acho que eles não gostavam muito...

Estante do 'tatame'

Bom, nossa sala de TV se transformou, na verdade, na sala da bagunça. Originalmente era um quarto do nosso apartamento 3+1, que quando compramos já havia sido transformado em sala de TV. E continuou assim. Fizemos poucas mudanças. Pintei a parede sob a janela com tinta magnética pra grudar bichinhos, letrinhas e outras coisas que pudessem virar brincadeira pros trigêmeos. O brinquedo magnético mais legal até agora foi uma fazendinha de madeira com fundo magnético, muito legal e eles brincaram até dizer chega com isso. Foi vovó Guguta que deu esse.

O tatame entrou e saiu várias vezes dessa sala, mas marcou tanto que até hoje nos referimos àquele espaço como sendo ‘o tatame’. Depois que eles cresceram um pouco comprei umas caixas dessas de mercado, de plástico, coloridas e montei uma estante com elas, pra colocar brinquedos, livrinhos, bonecos e tais. Eles usam essa estante até hoje e a Laura tem até uma das caixas exclusiva pras coisas dela, coisas de menina.

julho 02, 2008

Vitamina S


[uma das noites passadas em claro por causa do rotavirus. Ainda bem que hoje em dia passa desenho animado a noite toda!]

Não preciso nem dizer que com essa estória de deixarmos as crianças no chão eles acabaram tomando uma dose cavalar de vitamina S. Pra quem não sabe, a vitamina S pode ser encontrada em todas as situações em que a criança entra em contato com coisas não muito limpas, como o chão de qualquer lugar, parquinhos com areia, objetos que caíram no chão e uma infinidade de outras coisas e situações.

Nossos trigêmeos experimentaram todas as maneiras de absorver vitamina S. As razões pra isso foram muitas. Primeiro, somos um pouco desencanados e deixávamos a coisa rolar. Segundo que colo pra todos era impossível. Lembro de irmos a lugares em que tínhamos que esperar por alguma coisa e não havia lugar pra sentar, então, colocávamos os três no chão. E terceiro porque o pediatra mostrava números interessantes de pesquisas que mostravam que quanto mais contato com o ambiente em situações ‘normais’ mais chances da criança criar resistência a doenças e alergias. Pior que nossa praça aqui em frente eu não conheço! Ou seja, melhor lugar pra contato com vitamina S não há!

Tivemos cuidados extremos até os seis meses de idade, depois relaxamos um pouco, mantendo certos cuidados até completarem um ano e por fim desencanamos geral. Por exemplo, fervíamos todos os utensílios possíveis durante os seis primeiros meses. Depois, até um ano só mamadeiras e acessórios. Depois, mais nada.

Não preciso dizer que as crianças tiveram tudo o que estava disponível na época pra pegarem. Hoje em dia tem vacina pra tudo, são dezenas. Então, o que não tem vacina eles pegaram. E tudo que eles pegavam, pegavam no atacado. Um, dois dias depois outro e logo depois o terceiro. A pior experiência que tivemos foi com o rotavírus. Foram dias e dias trocando fraldas, noites e noites em claro. Se cada um usava 8 fraldas por dia, passaram a usar 15! Era uma loucura, não parava nada no estomago deles, saía por cima e por baixo, choravam de dor na barriga, ficaram sem comer, só soro por 2 ou três dias. Tínhamos que lavar tudo, ferver, uma parada.

E foi no atacadão, primeiro o Diogo, depois o Mario e por fim a Laura. No total foram uns dez dias de loucura lá em casa, Sorte que aconteceu em julho, eu estava de férias e Bia tirou uma semana. Os três deram uma minguada, emagreceram, ficaram abatidos, tristes. Mas, depois de dois ou três dias, estavam ótimos de novo.

Das lembranças que ficaram do rotavirus, a melhor foi a das fraldas na cabeça. Depois disso não tiveram mais nada grave, não ficam doentes, são fortes. Então, vitamina S é uma boa!

julho 01, 2008

Primeiros passos 2

O tal do banquinho azul era disputado pelos três, a gritos e choros! Acho que o Carlinhos não sabe disso...No final, Laura saiu andando bem antes dos meninos. E aí era aquela coisa pequenina que rebolava com aquela fraldinha empinada, uma coisa. Tenho saudades dessas coisas...

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Os primeiros passos

Criança de um ano é um barato. Eu gosto dessa idade, eles são engraçadinhos, bonitinhos e estão começando a fazer coisas que são conquistas enormes pra eles. Andar é uma dessas coisas emocionantes de ver uma criança experimentando pela primeira vez.

Os trigêmeos usaram uns banquinhos como andador. Como nosso piso é de taco de madeira, lisinho, esses banquinhos deslizavam pra lá e pra cá apoiando essas crianças. Era um barato. Um banquinho em especial era o favorito deles, um pequeno tonel de papelão com uma tampa estofada que ganhamos de aniversario de casamento do Carlinhos, um grande amigo. Quando não tinha banco, eles apelavam pra outras coisas, como caixas de papelão.

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Eu deveria ter mandado esse filme pra Pampers oferecendo os trigêmeos como garotos propaganda, propondo uma permuta (cedendo imagem em troca e fraldas), sei lá. O que eles usaram de fraldas não tá no gibi, foi quase um carro popular, nos valores de hoje. E essa fralda é mesmo melhor, não vaza, não molha a criança, dá menos trabalho pra quem cuida. Bom, acho que agora já não dá mais pra tirar proveito disso, já passou...