maio 06, 2009

minha avó Martha

Não sei por que cargas d’água tenho lembrado de minha avó nos últimos dias. Essa era uma expressão muito dela. Acho que já faz 10 anos que ela nos deixou sem sua alegria. Era tão pequenina, delicada, doce, alegre, divertida. Dificilmente ficava de mau humor ou brava com alguma coisa. Estava sempre, sempre saltitante e alegre, risonha. Andava pelo centro da cidade com se fosse um bairro do interior, falava com todo mundo.

Teve uma vida formidável, como ela mesma diria. Caçula de 7 irmãos [Bernardo, Filomena, Fausto, Floro, Maria José, Maria Rosa e ela, Martha], nasceu no Ipiranga em 1912, quando aquela área da cidade ainda era praticamente rural, eram as chácaras do Ipiranga. Aos 19 anos casou-se com Otavio, um militar do estado do Pará que largou a farda por uma carreira no Banco do Brasil. Viveram confortavelmente, tiveram dois filhos. Ele fazia tudo por ela, compras, administração da casa, tudo. Tiveram 2 filhos, um casal. Ela tocava violão, fazia tricô, jogava baralho. Nos anos 40, Otavio foi gerenciar o Banco da Borracha em Belém do Pará. Dessa época minha mãe, que foi para lá pequena, tem lembrança das frutas nas ruas.

Quando meus pais foram morar fora do país, em 1960, meus avós foram visitá-los. Meu avô, um paraense cabra macho, que bebia um ovo inteiro, casca e tudo, batido com uma caracu e ainda pingava limão nos olhos, teve um derrame fatal. Ele tinha 53 anos, ela 47. Não cheguei a conhecer vovô Otavio. Viúva, teve que aprender como se faziam as coisas mundanas do dia a dia. Nem cheque sabia assinar. Viveu bem o resto de sua vida recebendo a pensão do Banco do Brasil.

De sua casa em São Paulo, tenho boas recordações. Da horta no jardim dos fundos; da garagem que servia de área de serviço e tinha uma máquina de lavar roupas com um torcedor de roupas elétrico que eu insistia em por à prova com meus próprios dedos; do pequeno Lofi [nome que deriva de loaf, fatia, pedaço em inglês. Alguém deve ter achado que ele parecia um pedacinho de bolo quando filhote e o batizou assim], um Fox Paulistinha muito esperto; do jardim de inverno com cadeiras de ferro e couro de vaca que hoje estão na minha casa; do lavabo embaixo da escada de madeira; da minha alfabetização com minha madrinha na sala de jantar; da Babá, que fazia guloseimas deliciosas, ambrosias, pães de Ló, ovos nevados, que chamávamos e ainda chamamos de ovos levados.

Lembro também que aquela casa era palco das mais altas jogatinas e recebia democraticamente amigos de todas as tribos possíveis [sim, naquela época já haviam tribos, sim!]. Lembro-me do Cássio, parecia um conde, perna quebrada numa queda do ultimo vagão do trem quando voltava do carro restaurante. E do Assis, um velhinho, sempre de boina e echarpe para se defender da umidade fria de São Paulo. Foi nessas rodas de jogo que meu pai conheceu minha mãe, então uma menina de 16 anos, levado por seu irmão Marioto, já amigo do Lima, como era conhecido meu avô Otavio. Como meu pai casou-se com minha mãe, isso é outra história.

O fato é que ficaram tão amigos, meu pai e meus avós, que os velhos confiaram a filha a meu pai, então um rapaz. E o danado se dava tão bem com a sogra que era ela que, nas festas, levava [ou lembrava delas] as piadas a serem contadas. Meu pai contava uma e quando terminava vovó dava a deixa: ‘conta aquela do papagaio manco!’ E o velho: ‘Boa, Martinha!’

Quando eu tinha uns seis, talvez sete anos, isso lá por 1969, ela fez uma cirurgia. Tirou três quartos do estômago e foi proibida de fumar. Foi morar conosco no Brooklyn, na casa da rua Martim Francisco, 479, hoje rua La Place. Ficou lá por meses. E a danada fumava escondida no banheiro, menos de 15 dias depois de passar na faca. Nunca mais teve nada, nem um sinal de dor de estômago. E continuou fumando como uma chaminé.

[continua...]

maio 05, 2009

lição de casa [11]

Recortar objetos que tenham números. Hum?? Talvez pra saber se eles sabem o que é um objeto, pra reforçar o que é numero, pra praticar a pesquisa. O chato é essa coisa de revista. Confesso que não leio muitas revistas. Assino o jornal de sexta a segunda pra não receber muita informação, que já chega em overdose diária por n canais. Revistas só de corrida, uma e outra de comida, uma veja de mil novecentos e noventa e bola. Nas revistas de corrida muita gente correndo carregando um numero na camiseta, um ou outro relógio, polar, essas coisas. Nas de comida nem uma misera balança, nada aproveitável. Na veja telefones celulares em profusão.

Mais uma confissão, não gosto da veja, acho detestável. Uma revista que se acha o supra-sumo da informação mas que é de uma superficialidade acachapante. É feito a Globo, que também sofre do mesmo mal. Enfim, é a vida. Se a escola pede nas lições recortes de revistas...acho que vou num sebo qualquer angariar números atrasados a R$1!

a borracha

Mario acordou ontem sem vontade de ir pra escola, pedindo pra ficar em casa, coisa rara, raríssima nesses pequenos seres. Aos poucos fui driblando seu estado de espírito e tirando dele os motivos pra não querer ir à escola. Trocamos de roupa, tomamos café da manhã e eu cutucando de leve pra não espanar. Já no elevador ele confessou que não queria ir porque a professora ficava brava com ele.

Eu perguntei por que. E ele:
‘Porque eu não respeito’.
‘E porque você não respeita, Mario?, Você sabe que tem que respeitar.’
‘É por que, por que, por que...’
O menino gago e eu já achando que ia descobrir alguma coisa séria... ‘por que eu perdi a borracha.’
‘Ah! Meu filho’, eu exclamo, aliviado, ‘isso não tem problema, pode conversar com a professora e explicar pra ela, ela ajuda você a procurar, se não achar, arrumamos outra, tá bom? Agora não fica assim, não, tá.’

Ele ainda relutou pra sair do carro e entrar na escola, mas com a ajuda da Talita, a professora auxiliar, ficou bem. Voltou pra casa feliz, tagarela como nunca, disse que a professora não tinha ficado brava com ele, que tinha conversado com a professora e arranjado uma outra borracha, sem problemas. Acho que foi um dia importante pra ele.

geraldinho [!?]

As crianças chegam em casa com a vovó. O carro na oficina, peço socorro pra vovó. Felizes, alegres, empolgados com a novidade da vovó pegando na escola, na maior algazarra. Diogo, como sempre de bom humor, vem dando risadas em minha direção, puxando a mochila:
‘Pai, a mochila travou’.
A alça retrátil, o puxador da mochila ficou preso abaixado, e eu:
‘Ih! Travou, travou geral!’, enquanto fazia força pra destravar puxando a alça pra cima, já destravando. E ele, rindo mais ainda, depois de ver a alça arrumada:
‘Travou geraldinho!’
De onde esse menino tirou essa!?

maio 04, 2009

achei a resposta!

Enfim, encontrei a resposta que tanto procurava! Finalmente descobri porque tivemos trigêmeos! Não é óbvio? Errei na dose e, claro, assoprei muito forte! Três vezes mais forte do que deveria!



Não é demais essa animação? Mostrei para os trigêmeos e eles não queriam parar de ver. A realização da idéia é de Cassidy Curtis e Raquel Coelho.

maio 03, 2009

o casaco da Laura

Na sexta-feira, dia da reunião bimestral, aproveitamos a ida ao colégio para comprar casacos novos pros trigêmeos. Os que eles tinham já estava pequeno demais. Também, pudera, eles os usam desde julho de 2006, não dava mais mesmo. Fomos a lojinha de uniformes que fica dentro do colegio e compramos um moleton azul marinho [finalmente um casaco sem tecido branco! O outro tinha metade das mangas brancas. Já pensou o que isso virava?], com zíper e capuz pra cada um. Uma facadinha, de leve, mas...uma ferida necessária.

Segunda-feira, friozinho de manhã, todo mundo de casaco novo. Legal, todo mundo agasalhado. Tomei o cuidado de identificar, como pude, escrevendo o sobrenome atrás do escudo do colégio, pela parte de dentro do casaco, caso um dos três esquecesse o casaco na escola.

Não demorou muito e pronto! Dito e feito! Não é que a Laura chega em casa sem o casaco na terça-feira?

‘E aí, Laura, você esqueceu se casaco na escola?’
‘Hum, pai, acho que sim...’
‘Ô Laura, casaco novinho...Tudo bem, amanhã você procura, tá bom?’

Escrevi um bilhete pra professora e pedi a ajuda dela pra procurar o casaco. Quarta-feira, na volta da escola, nada do casaco.

‘Ô, Laura, não achou o casaco?’
‘Não, pai, ninguém sabe onde está...’
‘Minha filha, casaco novinho, fiquei triste.’
‘Vou ficar sem casaco, pai? Você não vai comprar outro pra mim?’
‘Vamos esperar até segunda que vem, se não aparecer vamos ter que comprar outro, mas fiquei muito triste.’

Quinta-feira, a primeira coisa que a Laura me diz, antes de entrar no carro

‘Pai, não achamos o casaco.’
‘Ô, Laura, que pena, vamos esperar até segunda-feira.’

Chegando em casa, já mando todo mundo lavar as mãos pra almoçar, a Laura começa a fuçar alguma coisa na sua mochila e me chama:

‘Pai, vem cá’ e quando eu vou chegando ela puxa lá de dentro o casaco, dando uma risada bem malandra.
‘Achei o casaco, pai!’
‘Que bom, Laura! Onde estava?’
‘No casulo, pai’
‘Ah!, deve ser o achados e perdidos!’
‘Enganei você, né pai?’
‘Enganou direitinho, Laura.’

Ainda bem! Foi um alívio e tanto!

maio 02, 2009

penso, logo...escrevo - outro blog

O que pensa o pai dos trigêmeos sobre a vida além do universo da paternidade? Essa é uma boa pergunta. Mas a resposta é melhor ainda: está lá no blog 'penso, logo...escrevo'.

Depois da 'polêmica' em torno do post de 'ponta cabeça', fiquei pensando que deveria ter um outro espaço para expressar o que penso sobre outras coisas da vida, além de ser pai de trigêmeos. Fui amadurecendo a idéia e então tomei coragem para me expor mais um pouquinho. Como sou um cara bastante crítico, tenho uma opinião sobre quase todos os assuntos, de política a futebol, de televisão a educação, de violência a reciclagem. Penso sobre as pequenas e as grandes coisas com a mesma intensidade e minhas opiniões são geralmente firmes.

Então, fica o convite pra quem quiser saber o que pensa o pai dos trigêmeos e trocar idéias em torno de um debate saudável. Apareçam no 'penso, logo...escrevo'.

Espero vocês por lá. Abraços.