
Se é difícil fazer uma mudança, imagina fazer uma mudança de país com trigêmeos a tiracolo! Mas o Canadá é um país de imigrantes e a estrutura que o país tem para receber os recém-chegados é impressionante. Há varias agências de apoio e mais importante, a própria população está acostumada a ajudar aqueles que parecem meio perdidos no começo.
Tínhamos que começar por algum lugar e se não era através de empregos, teria que ser através da escolha de uma cidade. Tentei algumas vagas nas universidades canadenses, mas não tive sucesso em nenhuma. Acho que me candidatei para umas 8 vagas, mas nada. O processo que me levou mais longe foi na Universidade de Calgary. Na Universidade de British Columbia tentei até uma vaga de pós-doc, que bateu na trave.
Muito antes de escolher a cidade, já estávamos entre Vancouver e Calgary. Não só porque já conhecíamos as duas cidades, mas por causa de algumas considerações geográficas, urbanas e climáticas. Eu prefiro clima seco, então as cidades canadenses do Atlântico estavam fora de questão. Mesmo Toronto, que não é na costa do Atlântico, é muito úmida, por causa dos grandes lagos. E umidade significa neve, muita neve, metros e metros de neve. Tudo bem, Vancouver é bem úmida e cercada de água por todos os lados, mas é uma umidade do Oceano Pacífico, diferente, não sei explicar.
Quanto a questão urbana, apesar de Toronto ser uma das cidades mais multiculturais do mundo, apesar de Quebec ter o charme da história, apesar de Montreal ser charmosíssima e apesar de Ottawa, a capital, ser belíssima, Calgary e Vancouver nos atraíam ainda mais. Haviam outras opções, como as capitais das outras províncias da pradaria, como Winnipeg e Regina, mas achamos muito isoladas e pequenas. Além disso, a paisagem é plana, plana, plana, o que nos pareceu um pouco monótono.
Em relação ao frio, bom, o Canadá é frio, qualquer que seja o lugar. Vancouver talvez seja um pouco menos frio, mas nada muito signficativo.
Em setembro de 2008 partimos para uma viagem de exploração ou de reconhecimento das duas cidades, Calgary e Vancouver. [Já contei sobre essa viagem em alguns posts
aqui,
aqui,
aqui e
aqui,
aqui e
aqui]. Nas duas nos hospedamos em Bed&Breakfast, o que nos ajudou muito. Poder conversar com pessoas locais com tranqüilidade foi muito bom. Em Calgary, o casal que nos recebeu tomava café da manhã conosco todos os dias e aproveitávamos pra perguntar coisas sobre a cidade.
A idéia era conhecer estas cidades com olhos de quem vai se mudar pra lá. Então fomos ao mercado e ficamos rodando, olhando preços e produtos. Usamos os transportes públicos. Dirigimos. Conhecemos escolas pras crianças. Exploramos bairros. Fizemos entrevistas de empregos, agendadas antes de viajar. Andamos e pedalamos pelos parques, fizemos passeios curtos e visitamos pessoas que moram por lá, brasileiros e estrangeiros. Em Calgary, conhecemos alguns brasileiros que já se mudaram há uns 2 ou 3 anos. Em Vancouver visitamos um casal de canadenses recomendado por amigos brasileiros que nos mostraram uma pequena cidade nos arredores chamada Tswassenn.
A nota triste em Vancouver foi rever Vicki e Lutz. Almoçamos com Vicki num restaurante em downtown. Ela nos preparou pra encontrar Lutz, que estava muito mal, nas suas últimas forças. Ele estava numa casa de 10 quartos que contava com toda a infra-estrutura de um hospital. Foi triste ver meu amigo naquele estado. Peguei sua mão e conversei com ele, disse que estava muito feliz em revê-lo. Ele chorou. Já não falava mais. No dia de nossa partida ligamos pra Vicki e ela nos avisou que ele tinha morrido. Foi triste.
Enfim, depois de 9 dias em cada cidade, achamos que Calgary seria a melhor cidade pra nós. Com 1 milhão de habitantes, perto das montanhas rochosas, uma infinidade de parques espalhados por toda a cidade, 600 km de trilhas pra caminhada e bicicleta, clima seco e pouca neve, Calgary nos pareceu ideal. Uma cidade pequena, quase provinciana, mas com um toque cosmopolita, multicultural. Chegamos a conclusão de que Vancouver seria perfeita se não tivéssemos filhos. Como dizem os próprios canadenses, Calgary é uma cidade family oriented.

Eu achei a cidade encantadora, com a vista das montanhas ao longe, muito arborizada. Os parques são de encher os olhos, os dois rios que cortam a cidade com águas cristalinas. Em pouco tempo senti que dominava a cidade, que a compreendia, que sabia me encontrar nela. Ccalro que não vimos tudo e muitas coisas vão nos surpreender quando mudarmos pra lá, mas não teria graça se assim não fosse, não é?
Voltamos pra casa felizes, mas ainda teríamos muito tempo pra esperar pelos vistos.