agosto 31, 2009

domingo no parque

O dia não poderia estar mais perfeito. Céu azul, sem uma única nuvem, sol, calor. As crianças acordaram de bom humor, numa expectativa efervescente, loucas pra ir logo pro parque, que só abriria às 11 horas. Foram 3 longas horas de espera pra eles que significaram, pra mim, a possibilidade de ler meus articulistas preferidos no jornal.

Bia passou 5 dias no hotel em frente ao Hopi Hari, numa convenção da empresa onde trabalha. Apesar das crianças ficarem enciumadas e com saudades da mãe, o fato de Bia trabalhar no ramo hoteleiro que lida com o setor de turismo, nos propicia essa oportunidades. O Hopi Hari é um parque caro para os padrões brasileiros. Além do ingresso, caríssimo, na minha opinião, o que se vende lá dentro tem preços extorsivos. Quer um exemplo? Uma garrafinha de 300ml de água sai por R$ 4. Segundo a Bia, a razão é que os brinquedos são todos importados. Então, eles se acham no direito de importar os preços também. Graças aos contatos da Bia, economizamos o valor dos ingressos. E como já conhecíamos os preços do parque, levamos nosso pequeno farnel e uma garrafa de 2 litros de água. Claro que tivemos que comprar pipoca, refri e sorvete, mas isso faz parte, não tem jeito.

Apesar dos valores exorbitantes, o parque estava cheio, o que sempre me deixa encafifado. Logo na entrada, filas enormes. E a primeira surpresa: 80% das pessoas era de maiores de, digamos, 15 anos ou pessoas grandes, no olhar das crianças. Fico pensando o que se passou pela cabeça deles ao constatar que eram minoria no parque de diversões. O que está acontecendo, deviam estar se perguntando? E ficaram os 15 minutos de fila grudadinhos na gente.

De cara, minha impressão foi: ‘hum, vai ser um PDI!’ PDIs não são comigo, não gosto de lugar cheio, não gosto de fila, não gosto de esperar, não gosto de gente esbarrando em mim, sem pedir desculpa ou licença. Pois é, não gosto, fazer o que. Pra piorar, 70% dos maiores de 15 deviam ser menores de 20 e nessa idade eles não estão muito preocupados com os outros. Nunca fui fã de multidões, especialmente em lugares fechados. Sim já respondo logo, não vou a shows, desde que tenho 20 e poucos anos. Mas fui ao Festival de Iacanga, o segundo, tá bom! Pelo menos era num espaço aberto. E posso garantir que foi uma experiência única na vida.

Pra quem não sabe, PDI é o famoso programa de índio. Não sei por que os índios ficaram com essa pecha de fazer programa ruim, nada contra eles, não. E programa de índio é legal, não é? Nadar pelado no rio, andar de canoa, subir em árvore, atirar de arco e flecha, pescar...Enfim, é uma expressão que meu pai adorava usar. Tudo pra ele era PDI. Invariavelmente ele perguntava: ‘E aí, qual vai ser o PDI desse final de semana?’ E ele pulava fora de todos! Quem gosta bastante de PDI é minha irmã mais nova. Aliás, ela é especialista. Acho que se tornou especialista em PDI só pra implicar com meu pai.

Bom, vamos lá, 15 minutos de fila depois, estávamos dentro do parque. Sentamos os três numa mureta à sombra pra dar as informações e regras do passeio pros 3. Cuidado pra não se perder, prestar atenção onde estão mamãe e papai, não aceitar ajuda de estranhos, essas coisas que poderíamos passar sem mas, infelizmente, são recomendações necessárias. Finalmente estávamos prontos pra brincar. E eles curtiram muito.

O Hopi Hari tem coisas legais que eles adoram e com a dose certa de emoção pros pequenos. O Rio bravo, uma espécie de barco-bóia que desce uma corredeira artificial e molha todo mundo, o Spleshi, aquele carrinho que sobe e desce numa espécie de lago e também molha todo mundo [a lembrança do Play Center quando pequeno era de que esse brinquedo era bem maior, mas pra eles deve ser bem grande], e o carrinho de bater ou bate-bate, como eles chamam. Depois tem coisas mais bobinhas, como uns caminhõezinhos que andam numa pista com trilho, o carrossel e um brinquedão desses de subir e descer entre túneis e pontes e tal. Uma coisa bem legal é um brinquedo de água que eu chamo de chuveirão, mas que deve ter um nome lá na língua do Hopi Hari. Eles adoram brincar nisso. E com o calor que estava, foi perfeito.

Ficamos entre esses brinquedos, indo e vindo, repetindo a dose de cada um. Laura ainda foi com a Bia numa montanha russa mirim e nuns balões que giravam pendurados no ar, mas os meninos não quiseram ir. Não foram em nenhum brinquedo de rodar ou de subir e descer. Acho que puxaram ao pai. Eu fico a quilômetros de distância dessas coisas. Só tenho pena de nunca ter andado na montanha russa, mas com a fila enorme, não me animo. E pra minha surpresa, eles não gostam de roda gigante. Segundo eles, é muito parado.

Tomamos muita água, alguns sorvetes, fizemos nosso lanche e assistimos a um pequeno show da Vila Sésamo. Curtíssimo. Os 3 gostaram e perguntaram diversas se os personagens eram de verdade: ‘eles são de verdade?’ São, são de verdade!

Fomos embora com o sol querendo se por. Eu estava cansado. Eles, quebrados. Na saída ainda passamos por uma lojinha de lembrancinhas, um centro de extorsão especializado. Estabelecemos um limite de preço e compramos as porcarias, digo lembrancinhas que, claro, já começaram a quebrar. Eu fico revoltado, as crianças, numa tristeza, numa decepção sem fim.

Enfim, o PDI não foi tão PDI assim. No carro, perguntei qual o brinquedo que eles mais gostaram. Pra minha supresa, eles foram quase unânimes na primeira opção: o carrossel. A Laura gostou mais do chuveirão, o segundo na preferência dos meninos. No final de tudo, a conclusão é que eles não precisam de muita pirotecnia pra se divertir. Gostam mesmo é de brincar na água e dos bons e velhos brinquedos que alegram as crianças a séculos.

agosto 29, 2009

surpresa!

Pssssssssst...fala baixo...
...eles ainda não sabem...
...nós vamos passar o domingo no parque de diversões!

já fiiiiiiiiizzz ! ! !

Tem que ser na hora do café da manhã? Eu preparo o café deles, preparo o meu, sento, abro o jornal e nem 2 minutos depois, escuto: 'já fiiiiiiiiiiizzz!'
Pensa que é uma vez só? Não! São 3 vezes!
Agora, vai reclamar que os 3 tem o relóginho do intestino regulado?
E lembrar que isso já foi muito pior...e as vezes até mais divertido.

agosto 28, 2009

jabuticaba

Domingo, depois do almoço, as sombras compridas do sol de inverno que ia caindo, as crianças soltas, brincando até cansar. Aquela preguiça só esperando o dia acabar. Mas o melhor de tudo foram as jabuticabas, uns 20 pés, centenários, carregados, um verdadeiro jabuticabal. Não sei se existe fruta melhor. É a minha preferida. Talvez pitanga chegue perto. Pensando bem, jabuticaba não tem concorrentes, mas gosto bem de manga, jaca [o cheiro de jaca no Rio], sapoti, graviola, caju, maracujá, tangerina, cajá, fruta-do-conde [ou pinha? ou ata?], caqui, amora, abacaxi, as laranjas todas e todas as bananas. Mas jabuticaba....e não tem coisa melhor que comer no pé.

Diogo comeu tantas, mas tantas que fiquei até pouco preocupado com o menino. Vai saber, jabuticaba solta tudo. Mas não deu nada. Enquanto ele comia jabuticabas subindo nos pés com o amigo, os outros se esfolavam descendo o barranco e pedalando.

agosto 27, 2009

pedalada ecológica

O colégio promoveu um passeio de bicicleta no Parque Ecológico. O lugar é lindo, na área de uma antiga fazenda do estado que foi um centro de pesquisas biológicas. Há uns 15 anos atrás [talvez até mais] foi transformado em parque, com projeto de Burle Marx. Bastou ser inaugurado para ser, imediatamente, abandonado. Ficou assim por anos, completamente sem cuidados, sem manutenção e fiscalização. Os usuários desapareceram. As capivaras se proliferaram, os carrapatos, o risco de febre maculosa.

Até que a cidade conseguiu fazer um acordo com o estado e o parque passou a ser municipal. Isso faz uns 2 anos e, devagar, as pessoas voltam a usar o parque. É um belo lugar, tem que ser mais usado pela população. Andando por lá é visível, mesmo aos olhos de um leigo, que há um projeto paisagístico diferente. As massas de arvores, de espécies que se agrupam pela paisagem. Muito bonito.

Apesar do frio, as crianças adoraram o passeio, pedalaram bastante, encontraram os amigos fora do contexto da escola. Nós encontramos os pais dos coleguinhas, alguns se tornaram nossos amigos, gostamos de estar juntos. Afinal, temos algo em comum além dos filhos de 5 anos: freqüentamos a mesma comunidade escolar.

mc dia feliz – só big mac

Se você quer ajudar crianças e adolescentes que tem câncer, o McDonald’s promove o McDia Feliz. Todo o dinheiro da venda de Big Mac é destinado a causa do câncer infantil.

Mas atenção: apenas o dinheiro da venda de Big Mac vai para a campanha.

Não adianta pedir o número 1.

Dia 29 de agosto, sábado: Só Big Mac, Big Mac, Big Mac.

desaparecido

Thiago Tomás Nitoli está desaparecido desde 8 de agosto.
Mais informações sobre o caso em http://equilibrio-eu.blogspot.com/ .
Toda e qualquer ajuda será bem vinda.
A familia agradece. Obrigado.

agosto 26, 2009

email do Antonio

O Antonio respondeu a minha carta. No mesmo dia. Fiquei meio assim de colocar a resposta aqui, mas acho que não tem problema. Por uma dessas coincidências incríveis, mandei a carta pra ele no dia de seu aniversário.

Caro Octávio, tudo bom?
Que delícia receber sua carta, ainda mais no dia do meu aniversário. Minha avó tinha um irmão muito querido chamado Octávio, você sabia? Era o Tavo.
Vou falar de você para ela a próxima vez que nos falarmos. Aliás você deveria ir até Petrópolis, dar um abraço pessoalmente. Tenho certeza de que não vai se arrepender...
Engraçado saber que você também come o biscoito de chocolate. Na minha infância o chamávamos de CESP, porque no dia do incêndio no edifício da CESP, em SP, minha mãe o estava fazendo e queimou.
Bom, São tantas coisas que você falou que nem sei o que te dizer! Só que fico muito feliz de saber que tenho um parente por ai, que escreve tão bem e gosta dos meus textos.
abraços, boas corridas e correrias atrás dos gêmeos!

esses primos...


Meus filhos adoram o primo Gabriel. E, isso é bem visível, ele também adora os trigêmeos. Laura e ele, então, têm uma relação única, desde que ele nasceu. Laura ia lá acordar o menino no berço. Os dois estão sempre juntos. O melhor de tudo é que eles se dão muito bem, a cada dia se viram melhor e dão cada vez menos trabalho. Dá uma olhada nessas fotos do menino, há uns 15 dias atrás, lá em Piracaia. A Isabela, irmã mais velha, que as vezes sobra quando os tri e Gabriel estão juntos, deu um showzinho pra alegria do irmãozinho e dos primos mais novos.

agosto 25, 2009

discussão sobre o futuro

[Laura, Mario e Diogo, com roupa de festa. Os meninos nao se aguentam, tem que fazer careta!]


No carro, indo pra escola, às 7 da manhã, os 3 começam a comentar a festa do colega da escola, no sábado à noite. Houve consenso entre eles: a festa foi muito boa. Então, começaram a discutir sobre uma série de coisas relativas à sua própria festa de aniversário, de 6 anos: o lugar ideal, os brinquedos imprescindíveis, o tema.

Diogo falou logo: ‘minha festa de aniversário de 6 anos vai ser do Pedro e o Lobo!’ Faz sentido, o disquinho da Rita Lee não para de rodar no nosso tocador de CD. Diogo adora música, é o que tem ouvido musical aqui em casa. Mario argumentou: ‘mas eu não queria Pedro e o Lobo, queria outra coisa.’ Laura sugeriu outro tema: ‘a festa podia ser do George, o curioso!’ Bom tema, os 3 adoram esse macaco. Diogo protestou veementemente: ‘não! Minha festa vai ser do Pedro e o Lobo!’ Laura tentou convencê-lo: ‘mas Diogo, a nossa festa é uma só, tem que ser tudo igual pra todos, tem que escolher uma coisa que todo mundo goste.’ Mario concordou: ‘Eu quero do George, o curioso!’ Diogo protestou de novo: ‘não, George não!’ O clima ficou tenso, Laura propôs uma votação: ‘quem quer George, o curioso levanta a mão!’ Ela e Mario levantaram a mão. Diogo, cruzou os braços, resmungou: ‘isso não é justo!’ Pronto! Entornou o caldo. Mas a democracia havia vencido!

Estávamos chegando à escola. Diogo ficou bravo, emburrado. Tentei apaziguar os ânimos dizendo que não precisavam decidir o assunto agora, que haveria tempo até o dia do aniversário. Laura e Mario desceram rápido, sentindo-se vitoriosos. Diogo não queria nem sair do carro, desceu contrariado, relutante, batendo o pé. Afinal, era uma decisão importante sobre o futuro, a festa de 6 anos. Mas acho que a discussão não está terminada. Até março, muita água vai rolar.

agosto 24, 2009

carta pro Antonio

Caro Antonio,

A segunda-feira amanheceu fria, cinzenta, com uma neblina densa e uma chuva fina. Levantei da cama sem vontade, cedo, porque sou eu que levo as crianças pra escola. Não basta ser pai, tem que participar. O cara que inventou isso, aquele da propaganda do Gelol em que o pai acompanha o filho ao futebol e se machuca só assistindo ao jogo, não sabia o que estava fazendo. Enfim, depois que se está na chuva...e hoje foi literalmente o caso.

Então levanto e pego logo o Estadão. Abro e encontro seu texto que leio com prazer. São tantos os articulistas que se revezam nos cadernos do jornal que, confesso, até hoje não decorei em que dia cada um escreve. É sempre com certa surpresa que vejo seu nome lá no alto da página, ‘Ôpa, hoje é dia do Antonio’. É nessa hora que lembro que você é meu primo.

Pois é, nós somos primos, mas não nos conhecemos. Quer dizer, você não me conhece, eu te conheço, porque leio seus textos e sei quem você é. Bem normal isso, na família Lacombe. São tantos primos espalhados entre Rio e São Paulo que não daria mesmo pra conhecer todo mundo. Há uns dias atrás comprei o livro da Loli, não podia deixar de comprar. Afinal se tenho uma filha Laura é por causa dela. Laura, sua avó é uma mulher muito forte, tudo o que faz, faz super bem feito, o colégio, a pousada. Eu queria que minha filha tivesse essa força, esse poder, então coloquei Laura, que era o nome de minha bisavó também. Mas o Mario, meu outro filho, não se chama Mario por causa do Mario Góes, seu avô. O Mario é Mario por causa do meu avô, irmão de seu bisavô Dingo. Calma, ainda não acabou, nem a confusão de nomes da família, nem a lista de filhos. Ainda tenho mais um filho, mas esse se chama Diogo e acho que não há outro na família. Será? Quanto aos nomes da família, vamos deixar pra outro dia.

Bom, me deliciei com o livro da Loli. As histórias são ótimas, mas as receitas são melhores ainda. Reconheci muitas delas que são feitas aqui em casa do mesmo jeito, há anos. Aquele biscoito de chocolate cheio de manteiga é o meu preferido. Faz muito tempo que não vejo a Loli, mas muito tempo mesmo. Sua mãe, então, acho que faz mais de 30 anos que não vejo, desde que nos mudamos pra Campinas. Aliás, minha irmã mais velha também é Marta. O último que vi da família foi Guilherme, o Guelé [será que você o trata por tio Guelé?]. Nem Miguel, que dos seus tios é o que regula idade comigo, nunca mais vi. E olha que somos os dois arquitetos. Como é que ele está? Já deu pra perceber que eu tenho idade pra ser seu tio, embora eu não me convença disso. Meus sobrinhos mais velhos têm por volta de 15 anos, bem mais jovens do que você. Demoramos pra ter filhos aqui em casa...

Olha, seus textos são muito bons. Engraçado como nos últimos tempos acabei trombando com seus textos em outros lugares, como na Runners. É, dou minhas pernadas por aí também, mas sem exagero que é pra não emburrecer muito. Lembro que o primeiro texto seu que li foi sobre boteco, ou sobre as conversas de boteco, que tudo tinha que ser de esquerda, uma coisa assim, tá lembrado? Foi um amigo meu, freqüentador do Bar do Jacaré que me mostrou. ‘Senta aqui e lê isso, você vai gostar’. E explicou ‘é filho do Mario Prata, tem uns 20 e poucos anos e já escreve assim.’ Isso faz uns bons 6 anos, por aí. Lembro que pensei, ‘é, o cara tem a veia do pai’ e disse por meu amigo [que por coincidência, é Mario também] ‘o menino é meu primo’. Desculpa o menino, é coisa de tio, digo, de primo bem mais velho.

Sei lá, depois que li o livro de sua avó me deu uma certa nostalgia da família, me lembrei da gerações anteriores, da vida que levaram lá no Rio, o Rio nos seus tempos de glória. Aliás o seu texto sobre o chuveirão na praia é ótimo. Aí pensei, preciso mandar um recado pro Antonio, pra dizer que ele tem um leitor aqui pelas bandas do interior que é parente dele e tal. Hoje li seu texto no Estadão e decidi, é hoje que vou deixar um recado pro Antonio lá no blog dele.

Taí, Antonio, um grande abraço do primo Octavio. Olha aí, mais um nome que se repete na família por gerações. Manda um beijo pra Loli. Diga a ela que o filho do Noel mandou um beijo, acho que só assim ela vai saber quem eu sou. Ah!, eu também tenho um blog, dá uma passada por lá.

[desculpa, mas o recado ficou meio longo, acabou virando carta...]

*esse foi o comentario que deixei hoje no blog do Antonio.

agosto 23, 2009

as vozes

video

[o trio numa de suas brincadeiras durante as ferias prolongadas. Repare na sala totalmente desmontada. Eles nao falam muito mas da pra sentir o tom da voz pelas risadas. no geral, esse eh o clima aqui em casa]

A Jussara, leitora assídua aqui do blog, fez outro dia um comentário muito interessante. Ela dizia que já conhecia os trigêmeos, que se sentia intima, que conseguia até dizer quem é o Diogo e quem é o Mario, coisa difícil até pra quem convive com os dois. Dizia ela que só faltava uma coisa: ouvir as vozes deles. E sugeria que eu colocasse um vídeo dos tri.

Eu não tinha pensado nisso. A falta de vozes no blog, ou da voz dos autores ou autoras. Interessante. Eu tenho alguns nos videozinhos dos 3, desde que nasceram. São lindos, me divirto com os momentos registrados. Não coloco mais no blog porque demora muito pra carregar no blogger. Acho que posts com vídeos são esses aqui: 1, 2, 3 e 4. Será que esqueci algum?

Então, atendendo à sugestão da Jussara, taí um vídeo dos 3.

agosto 21, 2009

laura limpa o prato

Laura dá um pouco de trabalho pra comer. Comer de tudo, come, mas precisa de uma certa insistência. Às vezes escolhe o que vai comer, outras vezes não come nada. De uns dias pra cá, tem limpado o prato. Fiquei desconfiado. E peguei a marota no pulo. Das 3 cenourinhas de seu prato, uma ela comeu e as outras duas ela deu pros irmãos. Fez o mesmo com os tomates. Do purê ela deu 2 colheradas cheias pra cada irmão, idem com o arroz e feijão. E o pepino ela escondeu atrás do aparador [só achamos depois de um tempo, pode?] Só comeu o bife. E veio mostrar o prato vazio, toda faceira. Durma-se com um barulho desses...

pai, posso?

8 horas da manhã, todo mundo tomando café, frutas, pão, biscoito, bolo, leite, suco, qualquer coisa que alimente, consistente. Os meninos acordam com fome, esfomeados, comem, se regalam. E vem a Laura ao escritório: ‘pai, posso?’, com o pote de chiclete na mão. Pois é, Eles têm um ‘bubble gum dispenser’, daqueles que se vira uma manivela pra cair o chiclete, aquele tipo bolinha. Então eu digo, já sabendo que seria difícil demovê-la da idéia. Ela é fissurada em chiclete! ‘Você já comeu a banana, Laura? Depois da banana, pode.’ Banana é sua fruta predileta, estava picada em rodelas, com mel, pronta, na sua mesa. Volta a Laura pra sala e eu escuto: ‘alguém quer banana?’ Ela é da pá virada, mesmo...

agosto 20, 2009

carta pro diogo

Diogo vinha falando que queria receber uma carta, que nunca tinha recebido uma carta. Mas de onde esse menino tirou essa idéia, eu me perguntava. E ele insistiu nisso por vários dias, Até que eu mesmo escrevi uma carta pra ele e coloquei no correio. Nada demais, umas palavrinhas perguntando das férias, como ele estava, mandando beijos e abraços pra ele e recomendando que ele desse beijos nos irmãos. Quando a carta chegou ele ficou exultante, pediu pra abrir e ler pra ele. Então ele disse: ‘mas eu queria receber muitas cartas, pai, tinham que ser muitas cartas’. Aí é que me toquei. O desejo dele era receber cartas como o Harry Potter no filme A pedra filosofal. Muitas, muitas, mas muitas cartas! Acho que isso, só se ele um dia ficar famoso... ninguém pode dizer que eu não tentei.

agosto 19, 2009

é isso que me fascina

a graça desses caras juntos, a sintonia entre eles, suas invencionices, sua malandrice ingênua.

de olhos abertos

Harry Potter vem causando pesadelos aqui em casa. Tenho que admitir que os filmes são realmente assustadores. Para uma criança de 5 anos, deve parecer horripilante. Valdemort, a personificação do mal, o assassino dos pais de Harry, o vilão que o persegue em todos os filmes [não li os livros] é uma criatura de dar muito medo mesmo.

Acho interessante essa atração pelo mal, feio, malvado, uma atração pelo medo. Parece uma emoção que as crianças querem experimentar, repetidamente. Acho que faz parte da formação, conhecer o lado escuro das coisas pra poder sedimentar o lado claro, o bem, o belo. Não sei. O que sei é que nada existe sem o seu oposto, sem a energia contrária, masculino e feminino, bem e mal, claro e escuro, o yin e o yang.

Agora, todos eles manifestam um pouco de medo, cada um a sua maneira. Laura fica apreensiva na hora de ir pra cama e às vezes tem pesadelos. Outro dia, zapeando os canais a procura de um filme pra eles, passamos por Harry Potter e a Ordem da Fênix. Dissemos que era muito assustador pra eles e que era legendado, mas não teve jeito, quiseram assistir. Conversando com Laura sobre sua noite de sono, conturbada, perguntei se ela havia tido um pesadelo. Ela disse que sim, que sonhara com o Valdemort. Mario estava do lado e saiu-se com essa: ‘eu não tive pesadelo porque dormi de olho aberto!’ Sei...

agosto 18, 2009

no oftalmologista

[Mario, Laura e Diogo com cara de sala de espera]

Ontem os tri tiveram consulta no oftalmologista. Não é a primeira vez, já haviam ido quando tinham 3 anos e pouco. Com um histórico familiar pesado, dos 2 lados, é preciso acompanhar os olhinhos desses 3. Meus avos maternos e paternos usavam óculos, meu pai e minha mãe, os pais da Bia usam, Bia e eu usamos. Difícil eles escaparem dessa ilesos.

Então fomos, fui levando os 3. Claro que rola aquela apreensão por antecipação, vai doer, o que ele vai fazer, como é e tal. Eles não lembram muito da primeira consulta. Diogo saiu de casa dizendo que queria usar óculos. Tadinho, pensei comigo e disse que usar óculos era meio chato, mas que se precisar tem que usar.

Por que pagamos um plano de saúde privado, fomos a uma clínica privada e esperamos 1 hora e meia pra sermos atendidos. Consulta marcada para as 5 da tarde, fomos atendidos às 6 e meia. Normal. É assim que funciona, reclamar pra quem? Fico imaginando quem tem que usar o serviço público, a agonia que deve ser. Enfim... O problema é que os trigêmeos não sabem que a coisa funciona [ou desfunciona?] assim. Reclamaram, acharam que estava demorando muito, perguntavam por que demorava. Eu respondia que médicos são assim mesmo e que não sabia o porquê de ser assim, mas era.

Quando o médico veio nos chamar, Diogo partiu pra ele dizendo que ele tinha que ser mais rápido, tinha que nos chamar mais cedo, que ele era preguiçoso. O médico ficou meio constrangido, mas saiu-se bem. Eu fiquei quieto, demonstrando assim meu descontentamento.

Entramos na sala [já com medições eletrônicas feitas nos olhos dos 3] e Laura se dispôs a ser a primeira a fazer os exames. Tampa um olho, lê as letrinhas lá na frente, na verdade um M que vira as perninhas para os 4 lados, cada vez mais miudinhas. O médico perguntava pra que lado estavam as perninhas em tal letra e na outra e ela ia dizendo pra lá, pra cá, pra baixo, apontando com a mãozinha. E a pequena leu tudo, até aquelas letras microscópicas que só se vê em bula e contrato. Visão 100%! Segundo o médico isso pode significar miopia no futuro. Não me surpreenderia, embora eu tenha astigmatismo.

Depois foi a vez do Diogo. E o médico avisou que ele tinha uma pequena deficiência e que poderia precisar de óculos. Foi indo, indo, lendo, até que nas letras menores empacou. Então colocou aqueles óculos de oftalmo pra medir quando seria necessário pra corrigir. Tenta esse, tenta aquele, ‘com qual as letrinhas ficam mais bonitas, Diogo?’, ‘esse aqui’, disse ele e leu as letrinha miúdas. Pronto! O Diogo vai precisar de óculos, meio grau. E o menino ficou radiante!

Por ultimo foi o Mario, que já estava inseguro bem antes de seu exame. Olhava os irmãos fazendo o teste e perguntava, apreensivo, ‘como é que eu vou adivinhar pra que lado está pai?’ e eu dizia que ele ia enxergar e contar o que estava vendo. Então ele começou o teste, tímido e foi lendo, lendo e empacou nas miúdas. Pos os tais óculos, tentou, mudou, mas por fim ficou no grau zero mesmo. 100% também.

Os 3 saíram de lá exaustos. E Diogo causando inveja nos irmãos, que também querem usar óculos. Tive que prometer que todos vão ter óculos e um será diferente do outro [vou ter que arranjar óculos sem lentes pra Mario e Laura!]. Diogo já gosta de ler e escrever e agora de óculos vai ficar mais parecido com um pequeno intelectual do que já parece.
‘Como vão ser seus óculos, Diogo?’
‘Eu quero óculos redondos!’
‘Iguais ao do Harry Potter?’
‘Não, iguais a um binóculo!’
'Nossa!!!'

agosto 17, 2009

volta às aulas

Hoje foi o primeiro dia de aula depois da prorrogação do início do semestre por causa da gripe suína. Os trigêmeos foram felizes da vida, radiantes, retomar suas atividades, reencontrar seus amigos, reativar sua vida social. Apesar de apreensivos, achamos melhor voltar a rotina, mesmo com a possibilidade de continuar com as atividades do Progresso em casa, oferecida pelo colégio. Minha percepção é que a suspensão das aulas, por si só, não muda o quadro da gripe de maneira significativa. Bia não tem tanta certeza. Decisões difíceis.

Ontem li uma entrevista no Estadão que me deixou mais seguro. Transcrevo aqui alguns trechos do que disse à repórter Adriana Carranca o médico sanitarista Gonçalo Vieira Neto, superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês, ex-diretor da Anvisa.

"Suspender as aulas era inevitável?
A gripe veio pra ficar. Fará seu curso no inverno, matará tantos quanto a gripe comum e a partir da primavera sua incidência vai diminuir. Então, para fazer sentido, as aulas tinham que ser suspensas até o final do inverno. Duas semanas não adianta nada. A medida só se justifica do ponto de vista político porque, se morresse um aluno a culpa toda iria recair exclusivamente sobre o governo. O que eu recomendo é o retorno das aulas e a proibição das crianças com sintoma de gripe de irem à escola.

Mas o vírus não pode ser transmitido sem os sintomas?
No primeiro dia de transmissão, sim. Mas nós continuamos andando de ônibus e metro, indo à igreja, freqüentando locais fechados como os shoppings. Não faz sentido cancelar somente as aulas.

(...) No inverno de 2008 a gripe matou 17 pessoas por dia em São Paulo. A diferença é que 45% delas tinham mais de 80 anos. E, dessa vez, nos parece que os idosos estão sendo menos afetados. (...) Essa é uma boa notícia. (...) A má notícia é essa pneumonia que verificamos nos jovens infectados pelo H1N1. (...) Hoje, o que se pode afirmar sobre o H1N1 é que é transmitido como uma doença respiratória com índice de mortalidade dentro dos padrões de uma gripe comum. A única faixa que foge desse padrão e nos preocupa é a de jovens, entre 15 e 30 anos. (...) Não há indícios de estarmos caminhando para uma catástrofe."

[Jornal O Estado de São Paulo, 16 de agosto de 2009, p. A 26]

agosto 16, 2009

agosto 14, 2009

viramos notícia

[essa foi a foto que saiu acompanhando a materia, na pagina 11 da edicao de ontem. A foto da capa era mais bonita, os 3 encima de mim no sofa]

E não é que saímos no jornal? Pois é! E dividindo a capa com o César Cielo, que é aqui da região. Matéria sobre as férias prolongadas e como os pais estão se virando com os filhos nesse tempo.

Semana passada enviei umas fotos dos trigêmeos fazendo as atividades do Progresso em casa. Na quarta-feira recebi telefonema da assessoria de imprensa do colégio perguntando se poderiam publicar as fotos no site e se eu estaria disposto a contribuir para uma matéria no jornal. Porque não? Topei.

Saiu no jornal Todo Dia, que circula na Região Metropolitana de Campinas. É relativamente pequeno, a circulação não é das maiores, mas a região é bem grandinha, cerca de 3 milhões de habitantes. Legal mesmo foi a sessão de fotos. Os 3 ficaram super à vontade, deram um show. As fotos ficaram excelentes.

agosto 13, 2009

categórico

Diogo é categórico. Essa é a outra face de sua doçura. Quando quer uma coisa, quer. Quando não quer, não quer. Mas nem sempre é assim. Na hora das refeições, Diogo afirma categoricamente: ‘hoje não vou almoçar’ ou ‘eu não vou jantar, não estou com fome’. Tudo bem, eu digo, mas senta aí pra fazer companhia pros seus irmãos. Então ele senta em frente ao prato e, sem dizer nada, é o primeiro a comer tudo.

mr. no

Diogo sempre disse não. Acho que foi a primeira palavra que ele aprendeu a falar. Era não pra tudo. Mesmo quando ele queria dizer sim, dizia não. O não vinha antes de tudo. Isso durou até os seus 3 anos e pouco, talvez até os 4. O chamávamos de ‘mister no’.

Ele continua dizendo não. Mas agora acrescentou algo mais a palavra. ‘Não, Laura!’, é uma das coisas que mais escuto por aqui.

agosto 11, 2009

último pacote

Ontem fomos buscar o último kit das video aulas com as atividades das crianças e entregamos as lições feitas. Os 3 aproveitaram pra passear na escola, falar com um monte de gente que eles conhecem, ir a biblioteca e ler um pouquinho – sobre dinossauros. No caminho eles já especulavam se encontrariam a Adriana e a Talita. A saudade é grande. Por sorte encontramos com as duas e eles fizeram aquele charme de criança de 5 anos: olha, dá risada e sai correndo, como quem diz ‘que saudade, adoro vocês!’, mas chegar muito perto, não chegaram. Continuo dizendo que a escola é inovadora. Disse isso a todas as pessoas que encontrei ontem, que oportunidade única eles estão tendo de participar de um projeto inovador. Nos estamos felizes em participar desse projeto.

gripe suína

Agora há rumores de que a secretaria de saúde vai prorrogar o período de afastamento da escola até o final de setembro. Faz sentido, apesar do fardo que tem sido manter as crianças em casa. Segundo o vovô Vitorio, médico, criança pequena, em idade pré-escolar não deve ir à escola. Muito menos ao hospital, exceto em último caso. Se há sintomas, se há duvidas, a recomendação é comunicar-se com o pediatra o quanto antes e seguir suas indicações. É imprescindível evitar lugares fechados com muita gente, como cinema e shopping. Parece ser inevitável o alastramento do vírus. Faz sentido a afirmação de que todos seremos infectados com maior ou menos gravidade, dependendo do estado de saúde de cada um. Afinal, é um vírus de gripe, uma mutação do influenza, que circula pelo mundo há muito tempo. Portanto, é necessário prevenir.

agosto 10, 2009

pai

Ser pai é uma escolha. Uma escolha que implica renúncias. Muitas renúncias. Tantas e tão grandes que quando estamos ainda esperando que o primeiro filho [no meu caso, os filhos] deixe o abrigo protegido do ventre materno não podemos imaginar nem de perto o que nos aguarda. De todas as escolhas que fazemos na vida essa me parece ser a mais transformadora. Por que ao escolher ser pai, o homem muda de condição. Multiplica-se, não está apenas nele, está no outro, mais no outro do que nele mesmo. A perspectiva da vida muda. Passa a ter a mediação de pequenos olhos que nem na vertical ainda enxergam o mundo. Enxerga com os olhos do outro, que é um pouco de si mesmo, mas é outro. É a dose de fragilidade e delicadeza que traz o equilíbrio necessário.

Ser pai é também uma dádiva. Não há como não se derramar de amores sobre pequenas criaturas que são a maior realização que o humano pode alcançar. É o milagre da química, da física, da biologia, o milagre da vida e do espírito que se materializa, toma forma de criança, nossa imagem e semelhança. É nossa única chance de ser um pouco deuses também. É a nossa chance de aproximação com o divino, o milagre, o transcendente. É quando nos deparamos com toda a grandeza e a miséria do humano, num só tempo.

Escolhi ser pai. Foi uma escolha consciente e sua realização foi ansiosamente aguardada. Mas não escolhi ser pai de trigêmeos. Fui escolhido e minha pequenez espiritual não me permite compreender as razões disso. Sobre a minha escolha de ser pai, transformadora por si só, foi aplicado um fator multiplicador. A transformação não poderia ser maior. Imensa.

Tenho que reconhecer que sou um pai afortunado. Agradeço aos céus, aos deuses, ao universo. Agradeço a Bia e aos pequenos que me escolheram. Por que minha escolha somada a deles fez com que eu pudesse viver as experiências que me transformaram em outro homem. Pai.

[Esse blog é muito gratificante. Recebo tantos comentários maravilhosos, delicados, sensíveis, emocionados. São importantes, estimulantes, reconfortantes. Quero agradecer a todos os que têm compartilhado esse espaço comigo seguindo a história dos trigêmeos.]

agosto 08, 2009

o que mesmo?


Mario é mesmo distraído.
‘Mario, quer suco de laranja e banana em rodela com mel?’
Ele responde sem pensar: ‘quero!’
Mas logo aparece atrás da gente perguntando: ‘o que é que eu quero mesmo?’

gordinho

Algumas pessoas tem dito pro Mario que ele está gordinho. É um conceito meio vago. Ele está bem, fortinho, eu diria. Numa dessas observações ele respondeu: ‘ah!, não tem problema, eu faço uma esteira depois!’

agosto 07, 2009

tudo o que eu queria

[Diogo e Mario]

Em certas ocasiões, ver esses dois meninos brincando gera em mim uns sentimentos estranhos. Imemoriais, eu diria. Coisa de tempos que não saberia precisar. Quando vejo os dois assim, tão juntos, ligados, tão amigos, dá vontade de estar ali entre eles, compartilhando de sua alegria. Acho que tudo o que eu queria era voltar a ter 5anos e ser um deles.

telefonema inesperado

[Adriana e Diogo]

E não é que a Adriana, professora dos tri ligou aqui pra casa! Bia e eu não estávamos, quarta-feira é dia de nossa escapada. Ela falou com as crianças, disse que estava com saudades. Quem poderia imaginar? Não é demais? Imagina se os tri não adoraram!

agosto 06, 2009

mais de ubatuba – outra do guga

Estava contando para os primos mais velhos que aqui em casa cada um deu um nome pro peru. Sabe como é, papo de meninos, essas coisas. Estávamos o Guilherme, o Gabriel, o Guga e eu. Então, conto: ‘o do Mario é pirulito e o do Diogo é pepino’. Os 3 deram risada e Guilherme, o mais velho dos 3, foi logo perguntando pro Guga, o mais novo, como ele tratava seu peru. E Guga, acho que meio aéreo, meio avoado, desligado, respondeu, de bate pronto: ‘feijão’. Como é que é? Feijão? Pra que...imagina a gozação...

mais de ubatuba – a frase das férias

Acho que foi no dia em que o Guga chegou que ele aprontou essa que virou a piada das férias. O Guga é engraçado, até sem fazer força ele faz rir. Ele estava com as outras crianças no quintal, batendo uma bolinha e eu na varanda como os outros adultos, tomando um aperitivo, conversando e olhando a molecada. Estava tudo bem, tudo tranqüilo.

Quando de repente, o Guga coloca a mão na bunda e sai gritando: ‘preciso fazer coco, tá saindo, tá saindo, tá saindo’. Pronto! Alerta vermelho! Pulei da cadeira na hora pra ajudá-lo: ‘vem por aqui Guga, rápido’ e fui levando o menino pro banheiro mais próximo, que estava ocupado. Lei de Murphy. Meia volta: ‘vamos naquele outro ali, Guga’, que estava livre, ufa! Ele já vinha tirando as calças, foi o tempo de mostrar o vaso pro moleque. E foi só virar as costas pra ouvir a frase das férias: ‘Ai! Que delícia!’

Cheguei na varanda não me agüentando de rir. Perguntaram o que havia acontecido, contei a passagem e foi uma gargalhada geral. Quando ele voltou do banheiro, então, foi uma explosão de risadas! Até o fim da temporada na praia, tudo era motivo pra exclamar: Ai! Que delícia!

agosto 05, 2009

mais de ubatuba – o chaveirinho da Laura

Ser pai é mesmo difícil. Educar é uma das tarefas mais árduas de que já tive notícia. É trabalho de formiga, todo dia, o tempo todo, sem descanso. Eu me considero um pai rigoroso, bravo quando necessário. Imponho limites, não deixo de corrigir os erros. Gosto de conversar, explicar, orientar, mas não deixo de tomar medidas mais enérgicas se a situação solicita. Acontece que algumas situações são como puxadas de tapete, é como estar sem os pés no chão, sem saber o que fazer, que atitude tomar, o que dizer.

No dia em que fomos ao cinema assistir a Era do gelo 3, ficamos um tempo ali na frente do cinema, esperando o horário da sessão. As crianças ficaram por ali, brincando, olhando vitrines. Bem ao lado da entrada do cinema tinha uma loja com carrinhos e outras bugigangas, do tipo que crianças gostam. Eu me sentei meio afastado, num banco e fiquei só olhando a criançada. Bia foi comprar balas pra todo mundo. Então Laura veio me chamar pra ver uma coisa que ela queria comprar. Me mostrou um chaveirinho de sandália de dedo, disse que queria um. Era uma parede repleta desses chaveirinhos. Disse a ela que conversaríamos depois do filme.

Assistimos ao filme, voltamos pra casa. No dia seguinte, de manhã, fui ajudar a Laura a trocar de roupa e vi um chaveirinho da tal sandália entre suas coisas. Perguntei se a mamãe havia comprado pra ela. Ela disse sim. Achei estranho. Depois perguntei pra Bia a que horas ela havia comprado o chaveirinho pra Laura, pois eu não havia visto quando comprou. Chaveiro, que chaveiro? Pronto. A menina pegou o chaveiro. E agora?

A sensação é horrível. Como aconteceu? Como eu não vi? Como eu não estava por perto quando ela precisou orientação? Bom, o erro já estava feito. Agora era remediá-lo, aproveitando a situação para ensinar o certo. Mais que ensinar, nessas horas a gente aprende. Na primeira oportunidade, conversei com a Laura. Primeiro perguntei como ela havia conseguido a sandalinha. Ela contou que queria muito e pegou. Então eu disse que ela não podia pegar as coisas que não eram dela, que coisas que estão nas lojas têm que ser compradas com dinheiro, que pegar coisas dos outros e de lojas era roubar, uma coisa muito feia, uma coisa errada, que não pode ser feita. Terminei dizendo que isso não era uma coisa admissível na nossa família e que ela teria que ir devolver o chaveiro e se desculpar com as pessoas da loja.

Imagina, isso tudo com Laura aos prantos e eu com o coração partido, não só por ela, pela dor do duro aprendizado, mas por mim, que me sentia desamparado, triste, culpado. Dei-lhe um abraço apertado, um beijo. Ela pediu desculpas. Perguntou se eu iria com ela devolver o chaveiro. Disse que sim, que estaria sempre por perto pra ajudá-la, sempre que necessário. Mas que ela nunca mais fizesse aquilo. Ela abaixou a cabeça, disse que sim. Ela estava envergonhada. Eu, arrasado. À tarde, na companhia da Bia, que também conversou com a Laura em outro momento, fomos devolver o chaveiro. Laura pediu desculpas. A situação foi constrangedora. Mas necessária.

Nem sei quantas coisas poderiam ser ditas sobre isso. Sei que muitas crianças fazem o mesmo, sei que os apelos assim como os desejos são muitos, sei que os limites podem ter esse efeito inverso, sei que a Laura é muito criativa, muito esperta, muito safa. Sei que poderia ter sido evitado se eu estivesse ao lado dela, ou de olho nela. Mas sei também que não se pode evitar tudo, não sou um super-pai que pode ver tudo, resolver tudo. Se por um lado me culpo, por outro acho que as crianças têm que ter espaço pra enfrentar situações da vida que se tornarão grandes oportunidades de aprendizado.

Sempre dei, sempre demos esse espaço, essa liberdade pros trigêmeos. Claro, esse espaço é relativo, depende dos parâmetros dos pais, de cada casal. E não há o certo, o mais certo nem o errado ou o mais errado. Pai erra mesmo querendo acertar. Lembro de quando eram bebês e aprendiam a andar, nós deixávamos que se aventurassem, que experimentassem seus limites. E eles caíam e deixávamos que caíssem. E, assim, que aprendessem a se levantar. Lembro que quando esboçaram as primeiras intenções de sair do berço, colocamos todos dormindo no chão. Evitamos que caíssem do berço com risco de se machucarem, mas ao mesmo tempo oferecemos a eles a liberdade de entrarem e saírem de suas caminhas quando quisessem.

A vida é uma grande situação de risco. Ainda damos espaço e liberdade pros trigêmeos e isso exige bastante de nós para educá-los. Espero ter sempre a energia necessária para orientá-los quando, ao experimentarem a vida, eventualmente caírem.

mais progresso em casa

Hoje de manhã fui buscar o segundo kit do progresso em casa, com as atividades de quarta a sexta-feira. As crianças foram comigo e adoraram rever a escola. Chegaram em casa e logo começaram a assistir ao DVD côo as vídeo aulas e a fazer as tarefas. Segunda-feira sai o terceiro e último kit, com as atividades da semana que vem.

agosto 04, 2009

progresso em casa

O colégio das crianças surpreendeu. Criou um programa para essas 2 semanas extras de ‘férias’ [Não são exatamente férias porque o mês está pago, não é?!] chamado Progresso em casa. Ontem enviaram, via motoboy, pra cada aluno, um pacote com um DVD contendo vídeo-aulas e outros materiais para a realização de uma série de atividades. Ainda vão enviar mais 2 pacotes e nós deveremos entregar as atividades realizadas para acompanhamento dos professores. Para os anos mais avançados criaram um programa de acesso remoto com aulas nos moldes do ensino à distância. E fizeram isso tudo no período de 4 ou 5 dias!

Achei a iniciativa espetacular e o projeto excelente. Nada como inovar, como transformar a crise em oportunidade. As crianças adoraram! Estão sentindo muita falta da escola, dos amigos, das professoras. Adoraram a atividade proposta. E não preciso nem dizer que o DVD virou hit parade, não para de passar na TV, o dia todo.

progresso virou notícia nacional

O colégio enviou um email com um link para uma matéria da EPTV-Globo:

Prezados Pais e Responsáveis,
Segue abaixo link da reportagem da EPTV-GLOBO, referente ao Colégio Progresso e a alternativa que encontramos para estes 15 dias de recesso, em função da Gripe A.
Todo o nosso esforço tem como objetivo nos aproximar dos alunos e suas famílias e, com isso, fazer com que o PROGRESSO passe cada vez mais a ocupar um lugar de destaque entre as melhores escolas desse país.
Veja a matéria veiculada no Jornal Regional 2ª edição do dia 03/08, que foi reprisada no Bom Dia São Paulo de 04/08. Essa mesma matéria, de forma reduzida, também foi veiculada no Jornal Hoje de 03/08, o que demonstra que essa atitude inovadora do PROGRESSO foi considerada referência nacional. http://eptv.globo.com/noticias/noticias_interna.aspx?266493
Obrigado pela confiança.
A Direção

veja outras materias aqui

olha a xuxa!

Hoje de manhã fomos levar a Bia ao hotel. Como era bem cedo, resolvemos tomar café da manhã lá. Sentamos e fui preparar os pratos dos 3, uma fruta, um iougurte, um pãozinho...Como em todo ‘bom’ hotel, a televisão estava ligada, claro. E em que canal? Globo, claro.

Como não assistimos a esse canal aqui em casa, as crianças não sabem distinguir ‘os personagens’ globais. De repente, o Mario fala: ‘Pai, olha a Xuxa’. Eu meio distraído, olhei sem interesse pra televisão: ‘É, Mario, sei’. Continuei olhando pro nada, absorto, perdido nem sei em que pensamentos, mas 10 segundos depois olhei de novo pra televisão, algo estava errado, a imagem não batia com a observação do Mario. E lá estava outra loira, a Ana Maria Brega, digo, Braga. Comecei a rir sozinho. ‘Essa não é a Xuxa, Mario, é a avó dela, a Ana Maria Braga. É quase a mesma coisa’.

Das duas, uma: ou a Xuxa envelheceu e não cabe mais como rainha dos baixinhos ou a Ana Maria Brega, digo, Braga, perdeu totalmente o senso do ridículo. Ou será que são as duas coisas?

agosto 03, 2009

o peixe do mario morreu duas vezes!

Fico surpreso com a longevidade dos betas aqui em casa. Desde março, quando chegaram aqui como presentes de aniversário dos trigêmeos, eles vão muito bem, saudáveis, espertos, bonitos e coloridos, como devem ser. A surpresa fica por conta dos inúmeros relatos de amigos que contam que os betas dão trabalho, não duram nada.

Mas nem tudo é tão azul assim. Na verdade, o peixe do Mario morreu 15 dias depois de ter chegado. Foi morrendo, devagarzinho, ficando quieto, amuado num canto nem tão canto assim porque o pequeno aquário é sextavado, e um dia amanheceu durinho, sem cor, boiando. Foi uma tristeza. Mario ficou abatido. A mim, coube a árdua tarefa de explicar que a morte é algo natural, faz parte da vida, é o fim comum a todos nós. Isso faz parte do aprendizado de ter animais, é uma experiência necessária. Ainda tive que fazer o ritual de enterro, nem tão enterro assim por que o peixe foi por água abaixo através do vaso sanitário [não há morada final melhor pra um peixe que não seja em águas mesmo, não é?!]. E, por fim, respeitamos um período de luto pelo peixinho que se foi, antes de escolhermos outro. Mario sempre se referia a morte de seu peixe dizendo que ele tinha ficado com olho de botão e aí morreu. Olho de botão? De onde ele tirou isso?

Uma semana de luto depois, fui com o Mario comprar outro beta. Tentei ajudar na hora de escolher o novo exemplar e por fim trouxemos pra casa um belo peixão. Logo ele estava ambientado e passando muito bem. Era mais quieto que os outros 2, mais lento, mais na dele, dormia encaramujado na lagosta que enfeita o aquário do menino. Inspirava preocupação, mas ia muito bem, até que saímos de férias. Quando voltamos, o peixe estava esbranquiçado. E foi piorando, piorando, piorando. Ah! Se eu soubesse que era só um fungo, um funguinho de nada...

Bem, troquei a água dos aquários, fiz uma limpeza geral. E na hora de voltar o peixe pro aquário, o Mario quis me ajudar e pronto! Deixei o peixe cair sobre a mesa da cozinha, tentei resgatá-lo, com todo o cuidado, empurrando-o para a tampa do aquário, que parece uma tela, com um buraco central, maior. E não é que o peixe caiu exatamente no buraco em que não podia cair! E ficou preso lá, entalado. Fiquei assustado, meti os pés pelas mãos, não consegui retirar o peixe da armadilha que eu mesmo criei, não segurei a tensão e declarei que o peixe estava morto. Isso tudo sob o olhar atento do Mario que, sentindo a tensão e ouvindo minha declaração, caiu no choro. Um choro sentido, assustado, desolado. O peixe semi-vivo, entalado, machucado pelas minhas tentativas de resgate, seguiu o mesmo caminho de seu antecessor: as águas do vaso sanitário. Eu fiquei arrasado. Matei o peixe do menino! Sofri por duas semanas, calado.

Isso foi um pouco antes de minha irmã chegar de Tubarão com os 3 primos queridos. Então foi aquela farra, pergunta daqui, conta dali, risadas de 2 em 2 minutos com as coisas que essas crianças falam. E por fim, o Diogo conta a tragédia: o peixe do Mario morreu 2 vezes! E a gargalhada foi geral, não era pra menos! Morreu 2 vezes?!?! Genial. Claro, na cabeça dele fazia sentido, foram 2 mortes do mesmo peixe, o peixe do irmão. Não importa se foram duas criaturas diferentes, eram os 2 peixes do irmão, então, o peixe do Mario morreu 2 vezes! Por incrível que pareça, foi só aí que consegui superar o trauma da culpa pela morte do peixinho. As risadas me fizeram esquecer do desastre. E devem ter tido o mesmo efeito sobre o Mario.

Mais uma semana de luto e partimos pra escolha de mais um beta pro Mario. Dessa vez escolhemos um bem esperto, pequeno, vermelho, lindo! Aproveitei pra compra um fungicida e bactericida e uma redinha própria pra transportá-lo na hora da limpeza. Está aqui em casa há uma semana. Está ótimo. Bonitão, betão! O Mario está feliz, contente com seu novo peixe. Agora todo cuidado é pouco pra evitar que o peixe do Mario morra 3 vezes! Longa vida aos peixinhos beta!

P.S. Os outros 2 peixinhos vão muito bem, obrigado!

agosto 01, 2009

versão dos fatos

Como diz uma amiga nossa que nem advogada é, para todas as coisas, todas as discussões, todas as contendas, todos os acontecimentos, todas as estórias, há sempre 3 versões. Isso mesmo, 3 versões: a de um lado, a de outro e a verdade. E essa, a verdade, é a versão que nunca ficamos sabendo, nunca é revelada.

No dia em que o Davi esteve aqui, os meninos reclamaram um pouco da Laura. Ela manda muito, disseram. Agora vejam as versões dos 2 lados, da Laura e dos meninos.

mandona – versão 1

Enquanto os tri brincavam com o Davi, em meio a reclamação genérica dos meninos sobre os mandos da Laura, que ouvi de passagem aqui e ali, Laura veio até o escritório, chorosa.

‘Pai, os meninos disseram que não querem mais brincar comigo’.
‘É, Laura? E o que eles disseram?’
‘Disseram que eu mando muito...’
‘É mesmo? E que tal parar de mandar pra continuar brincando com eles?’
‘Ah! Que chato, pai...’

Ela ficou meio assim desenxavida e voltou a brincar.

mandona – versão 2

No dia seguinte, quando fomos ao Zôo de Americana, o pai do Davi me contava que o Davi tinha gostado muito de passar o dia com os tri. E relatou o que conversou com o Davi:

‘E aí, Davi, gostou de brincar na casa dos tri?’
‘Gostei, pai’.
‘E você brincou com os 3?’
‘Brinquei mais com os meninos, com a Laura foi um pouco chato, ela manda muito’.
‘E vocês falaram com ela?’
‘Nós dissemos pra ela, Laura, você manda muito’.
‘E o que ela disse, filho?’
‘Então mandem vocês!’
‘E vocês mandaram?’
‘Ah! Só um pouquinho, pai’.